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18º Domingo do Tempo Comum – Ano B

LECTIO DIVINA

18º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Domingo, 2 de agosto de 2015

 

“Ele deu ao povo pão do céu”

 

Salmo 78.24

 

 

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

 

 

Amor divino, laço sagrado,

que unes ao Pai onipotente

e a seu bem-aventurado Filho,

Espírito consolador todo-poderoso,

dulcíssimo consolador dos aflitos,

impregna com tua soberana virtude

o mais profundo de meu coração;

que tua presença amiga encha de alegria,

pelo brilho deslumbrante de tua luz,

os rincões obscuros de minha morada abandonada;

vem fecundar com a riqueza de teu orvalho

o que uma longa estiagem fez murchar.[1]

 

TEXTO BÍBLICO: João 6.24-35

 

Jesus, o pão da vida

 

24Quando viram que Jesus e os seus discípulos não estavam ali, subiram nos barcos e saíram para Cafarnaum a fim de procurá-lo. 25A multidão encontrou Jesus no lado oeste do lago, e perguntaram a ele:

— Mestre, quando foi que o senhor chegou aqui?

26Jesus respondeu:

— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. 27Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade.

28— O que é que Deus quer que a gente faça? — perguntaram eles.

29— Ele quer que vocês creiam naquele que ele enviou! — respondeu Jesus.

30Eles disseram:

— Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer? 31Os nossos antepassados comeram o maná no deserto, como dizem as Escrituras Sagradas: “Do céu ele deu pão para eles comerem.”

32Jesus disse:

— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu, pois quem dá o verdadeiro pão do céu é o meu Pai. 33Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

34— Queremos que o senhor nos dê sempre desse pão! — pediram eles.

35Jesus respondeu:

— Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede.

 

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

P. Daniel Kerber[2]

ü  Algumas perguntas para ajudar-te em uma leitura atenta…

 

Para onde as pessoas se dirigiram em busca de Jesus? Segundo Jesus, por que as pessoas o procuram? Que tipo de comida descreve Jesus? De acordo com Jesus, o que Deus quer que façamos? O que comeram os antepassados? O que as pessoas pedem? O que lhes reponde Jesus?

 

 

Algumas pistas para compreender o texto:

 

No domingo passado, interrompemos a leitura do evangelho de Marcos e começamos a ler o capítulo 6 do evangelho de João: a multiplicação dos pães e o discurso subsequente a respeito do pão da vida. Na leitura de hoje, a multidão volta a juntar-se a Jesus e a seus discípulos, depois de se terem separado quando Jesus se havia retirado, sozinho, para o monte, porque se deu conta de que queriam levá-lo para fazê-lo rei (6.15).

O texto estrutura-se com um diálogo de Jesus com as pessoas, marcado por quatro perguntas. De seu lado, Jesus vai conduzindo o diálogo até revelar-se como pão de vida (v. 35), o que suscita um pedido final das pessoas.

Embora a primeira pergunta das pessoas seja bem superficial – “Mestre, quando foi que o senhor chegou aqui?” (v. 25) –, Jesus responde apontando o cerne: “… trabalhem … a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna”. Com este convite-mandato, começa um jogo de palavras que revela com profundidade a mensagem desta parte do texto. A palavra-chave é “fazer”, traduzida como “trabalhem” (v. 27) e presente nos vv. 28.29.30.

Os judeus, que estavam acostumados a “fazer” tantas coisas prescritas na lei (os rabinos tinham descoberto 613 preceitos), agora escutam que a única coisa que Deus quer que eles façam é que “creiam naquele que ele enviou” (v. 29). A fé em Jesus, aceitá-lo como o enviado do Pai é unicamente o que Deus quer “que façam”.

Os judeus pedem sinais (cf. 1Cor 1.22), como o do maná no deserto, e Jesus diz-lhes que é seu Pai quem dá o verdadeiro pão do céu, que desce e dá vida ao mundo. A resposta dos judeus não se faz esperar: “Queremos que o senhor nos dê sempre desse pão!” (v. 34). Este pedido reflete a busca que existe no coração de todo homem. Quando se oferece ao homem o alimento que dá vida, ele está disposto a recebê-lo, mas este é o começo do caminho; teremos que continuar a ler o capítulo para ver os passos a que Jesus convida.

Diante desta resposta, Jesus faz uma mudança radical. Ele lhes havia dito que a vontade de Deus é que eles acreditassem naquele que ele enviou, ou seja, em Jesus (cf. Jo 5.30,36,37); agora ele mesmo se apresenta como o pão que dá vida. Já não se trata apenas de aceitá-lo como o enviado, mas de recebê-lo como aquele em quem todos os anseios são satisfeitos: “Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede” (v. 35). Perceba-se que existe uma identificação entre “vir a Jesus” e “crer nele”.

No evangelho, é a primeira vez que Jesus se apresenta com a fórmula “eu sou”, que era o nome de Deus no Antigo Testamento (cf. Êx 3.15); mais adiante, Jesus continuará com essa progressiva revelação de quem ele é: “Eu sou a luz” (8.12), “o bom pastor” (10.11,14), “a ressurreição e a vida” (11.25), “o caminho, a verdade e a vida” (14.6).

Esta primeira apresentação de Jesus como pão da vida abrirá nova seção do discurso, que acompanharemos no próximo domingo.

 

 

2. MEDITAÇÃO

O que o Senhor me diz no texto?

 

 

Para este domingo, em sua Palavra, o Senhor traz uma situação comum no mundo: a necessidade de sermos saciados. Jesus confronta-nos com a exigência fundamental de participarmos da vida eterna e de não deter-nos a dar resposta apenas às necessidades básicas do corpo. Jesus indica-nos como saciar essa necessidade de vida plena seguindo-o e acreditando nele. Nesse seguimento se constrói a identidade do ser humano e se aprende a gostar do alimento que sacia as aspirações mais profundas: Para aquele que acredita, Jesus é fonte de vida.

Nós somos as pessoas do evangelho deste domingo: buscamos a Deus, temos necessidade de pão, temos fome de vida, mas não conseguimos encontrar a resposta que nos sacie. Por isso, adverte-nos o Papa Bento XVI: “Devemos perguntar-nos se sentimos realmente essa fome, essa fome da Palavra de Deus, a fome de conhecer o verdadeiro sentido da vida. Somente quem é atraído por Deus Pai, quem o escuta e se deixa instruir por ele pode crer em Jesus, encontrar-se com ele e alimentar-se dele e assim encontrar a verdadeira vida, o caminho da vida, a justiça, a verdade, o amor. Santo Agostinho acrescenta: “O Senhor afirmou que é o pão descido do céu, exortando-nos a crer nele.  Com efeito, comer o pão vivo significa acreditar nele. Quem crê, come; é saciado de modo invisível, e igualmente de modo invisível renasce (para uma vida mais profunda, mais verdadeira); renasce a partir de dentro e, no seu íntimo, torna-se um homem novo”.[3]

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

Qual é a motivação que me leva a buscar Jesus? Tenho realmente fome e sede de sua Palavra? Estou convencido de que Jesus realmente sacia minha fome e minha sede de plenitude?

 

 

3. ORAÇÃO

O que respondo ao Senhor me fala no texto?

 

Tu és o pão vivo,

Senhor da Vida.

Ajuda-nos a crer em tua pessoa

e viver segundo teu Projeto.

Queremos ser teus discípulos,

artesãos do teu Reino

e testemunhas de tua Causa.

Dá-nos sempre de teu pão,

tua pessoa, tuas palavras,

teus ensinamentos, teu modo de agir,

tua presença, teu Espírito.

Senhor, para que sejamos fortes na esperança,

dá-nos sempre de teu pão!

– Que assim seja.[4]

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, me minha vida, os ensinamentos do texto?

 

 

Senhor, não quero conformar-me; quero alimentar-me mais de ti,

para que me faças crescer a cada dia.

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

 

Cuidarei de participar da Eucaristia durante a semana, tomarei consciência de que Jesus é o pão de vida que sacia minha fome de plenitude.

 

 

A fé dos homens é comprovada em suas ações; ela

modela-lhes as feições e resplandece em seu olhar”.

São Tomás de Aquino



[2] É sacerdote da Arquidiocese de Montevidéu (Uruguai) e administrador paroquial da Paróquia de são Alexandre de são Pedro Claver. Colabora também com as Sociedades Bíblicas Unidas no trabalho de tradução da Bíblia para as línguas indígenas e prestou serviço como “auditor” para o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja (2008). É membro da equipe de apoio da escola bíblica do Cebipal (Centro Bíblico para a América Latina, do CELAM).

[3] http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_ang_20120812.html  (Angelus, 12 de agosto Bento XVI).

One Response to “18º Domingo do Tempo Comum – Ano B”

  1. Salve Maria!
    Gosto deste site , devido às orações em latim, informações, notícias da Igreja e tudo que nos ajuda como cristãos.

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