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‎“Deus vai subindo para o seu trono. Enquanto ele sobe, há gritos de alegria e sons de trombeta”‎

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Vem, Espírito Santo, e derrama-te com força.

Vem, Espírito Santo, e enche de alegria meu coração.

Vem, Espírito Santo, e inflama-nos.

Vem, Espírito Santo, e faze com que este encontro com a Palavra

seja um novo Pentecostes.

Amém.

TEXTO BÍBLICO: Atos 1.1-11

1Prezado Teófilo,

No primeiro livro que escrevi, contei tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo do seu trabalho 2até o dia em que ele foi levado para o céu. Antes de ir para o céu, ele deu ordens, pelo poder do Espírito Santo, aos homens que ele havia escolhido como apóstolos. 3Depois da sua morte, Jesus apareceu a eles de muitas maneiras, durante quarenta dias, provando, sem deixar dúvida nenhuma, que estava vivo. Os apóstolos viram Jesus, e ele conversava com eles a respeito do Reino de Deus. 4Um dia, quando estava com os apóstolos, Jesus deu esta ordem:

— Fiquem em Jerusalém e esperem até que o Pai lhes dê o que prometeu, conforme eu disse a vocês. 5Pois, de fato, João batizou com água, mas daqui a poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo.

 

Jesus é levado para o céu

 Certa vez, os apóstolos estavam reunidos com Jesus. Então lhe perguntaram:

— É agora que o senhor vai devolver o Reino para o povo de Israel?

7Jesus respondeu:

— Não cabe a vocês saber a ocasião ou o dia que o Pai marcou com a sua própria autoridade. 8Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.

9Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. 10Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles 11e disseram:

— Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

ü  Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

  • · O que Jesus ressuscitado pede aos apóstolos? O que devem esperar?
  • · O que o Espírito Santo operará nos apóstolos? Qual é a missão deles?
  • · O que aconteceu com Jesus quando acabou de falar?
  • · O que os homens vestidos de branco anunciam aos apóstolos e por quê?

 

ü  Algumas pistas para compreender o texto:

Pe. Damian Nannini[1]

 O livro dos Atos dos Apóstolos abre-se com uma temática claramente cristológica: os “quarenta dias” de encontros que os apóstolos têm com o Ressuscitado antes de sua ascensão aos céus. Na Bíblia, o número “quarenta” tem valor simbólico, pois indica a passagem de uma nova geração; é o tempo necessário para que Deus transforme uma situação. Esse tempo conclui-se justamente com o relato da Ascensão, que aqui é descrita como uma elevação aos céus.

E diz o texto que, durante aqueles dias, Jesus deu a seus discípulos abundantes provas de que estava “vivo”, em referência às aparições que Lucas narra no final de seu evangelho. Como observa J. Ratzinger, “o sentido das aparições está claro em toda a tradição: trata-se, antes de mais nada, de agrupar um círculo de discípulos que possam testemunhar que Jesus não permaneceu no sepulcro, mas que está vivo. Seu testemunho concreto converte-se essencialmente em uma missão: hão de anunciar ao mundo que Jesus é o Vivente, a própria Vida”.

Em seguida, vem a ordem de Jesus para que permaneçam em Jerusalém à espera da Promessa do Pai, o Espírito Santo, no qual os apóstolos serão “submergidos”. Assim, este “batismo no Espírito” supera, em muito, o “batismo com água”, de João Batista, orientado somente à conversão dos pecados.

A pergunta subsequente dos discípulos – “É agora que o senhor vai devolver o Reino para o povo de Israel?” – revela que ainda não compreenderam plenamente a missão universal e transcendente da Igreja, porquanto esperam, até então, a restauração do reino terrenal de Israel. Deverão receber a força do Espírito Santo para que lhes amplie ao mesmo tempo a mente e o horizonte missionário, pois deverão ser testemunhas “até nos lugares mais distantes da terra”. Como bem adverte L. H. Rivas, Jesus, “em vez de dar detalhes sobre datas futuras, abriu-lhes a perspectiva da tarefa a que eles deveriam entregar-se, uma missão que ultrapassava todos os limites nacionais, e na qual eles seriam protagonistas”.

Depois de unir a missão universal dos apóstolos com o dom do Espírito Santo, Jesus “foi levado para o céu”. A palavra “céu” aparece quatro vezes em At 1.10-11. Tal como para nós, hoje, a afirmação de que Deus “está no céu” era de uso comum nos tempos de Jesus e já se encontra no Antigo Testamento, que apresenta o céu como morada ou residência de Deus. Dizer que Deus está no céu é uma maneira de expressar sua transcendência invulnerável e sua onipresença na vida do homem”. Ao dizer que Jesus foi levado para o céu (At 1.11), afirma-se que se encontra agora em nova situação ou estado, pois está na Morada de Deus. Observemos, porém, que embora esteja “no céu”, em contrataste com “a terra”, ressaltando-se, assim, sua transcendência, nem por isso perde sua proximidade e mútua relação, pois a ação do céu ou a partir do céu se faz sentir na terra (cf. At 2.2).

A referência à nuvem que o oculta da vista dos apóstolos reforça esta ideia, visto que tem valor teológico e “apresenta o desaparecimento de Jesus não como uma viagem para as estrelas, mas como um entrar no mistério de Deus. Com isto se alude a uma ordem de magnitude completamente diferente, a outra dimensão do ser” (J. Ratzinger).

Ao mesmo tempo, nesta nova situação ou etapa, a Igreja deve viver na espera ativa da volta gloriosa do mesmo Jesus, tal com afirmam os anjos no final do relato (At 1.11). Aqui, o retorno do Senhor se apresenta como uma certeza, mas sem alimentar expectativas a respeito de algo iminente; ao contrário, os homens vestidos de branco convidam a não permanecer olhando para o céu, esperando seu regresso imediato. Trata-se dos mesmos que tinham sido vistos no sepulcro (Lc 24.4). “Naquele momento, haviam-lhes anunciado a primeira parte da confissão de fé cristã: o Senhor padeceu, morreu e ressuscitou (24.7); agora continuam e proclamam a segunda parte: o Senhor foi levado para o céu e voltará (At 1.11)”. (L. Rivas).

O que o Senhor me diz no texto?

Em algum momento da vida, cedo ou tarde, há algumas perguntas que teremos de fazer-nos e a elas responder: qual é o fim ou término de nossa vida? A morte é a última e definitiva realidade que nos espera? Existe vida depois da morte? De que vida se trata? Perguntas inquietantes, sem sombra de dúvidas, mas que precisam de respostas para que possamos viver autenticamente, em enganar-nos a nós mesmo. E também porque das respostas a estas perguntas depende a orientação que damos à nossa vida hoje.

Jesus, com sua morte, ressurreição e ascensão aos céus, dá-nos a resposta a estas perguntas porque o que ele viveu é uma antecipação e um sinal do que nos caberá viver.

O mistério da Ascensão e todos os outros mistérios da vida de Jesus são acontecimentos que se verificam em Jesus: neles, “algo se realiza em Jesus”. No Credo, confessamos que “Jesus Cristo subiu aos céus, e está sentado à direita de Deus, Pai todo-poderoso” (art. 6). Este mistério da vida de Jesus nos fala da glorificação de sua humanidade que entra definitivamente no âmbito divino. A Ascensão é, portanto, a coroação do triunfo de Cristo; é o ponto de chegada definitivo de sua Ressurreição: “A ascensão de Cristo aos céus significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade do próprio Deus” (Catecismo da Igreja Católica, nº 668). Trata-se da glorificação de Jesus em sua condição de homem mediante a qual devolve à natureza humana sua vocação de eternidade.

Contudo, os mistérios de Jesus também têm sempre consequências ou efeitos em nossa vida cristã.

A primeira consequência da Ascensão para nós é que nos abriu o caminho para o céu, para a vida eterna, já que em sua humanidade, inclui todos os homens. Ou seja, não celebramos somente o triunfo de Jesus Cristo, mas também a vitória do homem, da natureza humana, nosso próprio triunfamento. Jesus, cumprida sua grande missão na terra, regressa ao Pai e, de algum modo, leva-nos já com ele. A partir da Ascenção, uma verdadeira humanidade, a de Jesus, participa da Glória Eterna de Deus. Esta é a causa e a razão de nossa esperança de sermos glorificados com ele.

A segunda consequência é que, a partir de sua glorificação ou ascensão aos céus, Jesus faz-se presente e age nos homens e na história por meio do Espírito Santo que opera nos sacramentos e anima a missão da Igreja.

A terceira consequência é que, segundo as mesmas palavras de Jesus, com a efusão do Espírito em Pentecostes, começa a missão da Igreja. Por isso, a esperança do cristão é uma esperança ativa. Não esperamos nossa glorificação definitiva de braços cruzados, mas colocando-nos em oração junto a Maria e a toda a Igreja para receber o Espírito Santo e continuar, também nós, hoje, a Missão de Jesus. Por conseguinte, não é preciso ter medo de levantar tais perguntas e de aceitar a resposta que Jesus nos dá. O pensar e o levar em conta o céu e a vida eterna que nos esperam não nos levam a evadir-nos da vida presente; ao contrário, iluminam-na para que a vivamos mais plenamente, com esperança e serenidade. Vistas a partir do eterno, nossas realidades situam-se em seu justo lugar, tanto as cruzes quanto as alegrias.

Por fim, o Papa Francisco diz-nos o seguinte sobre a ascensão: “Ele abriu-nos a passagem para chegar a Deus, e atrai-nos até ele, protege-nos, guia-nos e intercede por nós. Olhar para Jesus Cristo, que ascende aos céus, é um convite a testemunhar seu Evangelho na vida cotidiana, com o olhar posto em sua vinda gloriosa definitiva” (Catequese de 17 de abril de 2013).

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

  • · Quando penso no final de minha vida, o que imagino?
  • · Creio que também minha morte será uma passagem para a glorificação?
  • · Esta esperança na vida eterna que Jesus me oferece ilumina minha vida? Como?
  • · Sinto que sou responsável pelo prolongamento da missão de Jesus no mundo?
  • · Que faço para que Jesus continue presente em meus ambientes de vida?

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Jesus, por partilhares comigo tua glória.

Dá-me sempre esta esperança.

Quando tudo parecer ruir,

dá-me o impulso para olhar para o céu.

Quando o humano tentar triunfar,

enche-me com a força do divino.

Quando me conformar somente com as coisas da terra,

inunda-me de fé para esperar, junto a meus irmãos, a vida eterna.

Quando me fechar em meus afazeres,

dá-me teu Espírito e renova em mim o envio a anunciar-te.

Amém.

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, dá-me a força da esperança na vida eterna”.

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Durante esta semana, comprometo-me a levar, com meus gestos, a esperança a alguém que dela necessite.

 

“A fé e a esperança são as duas asas da alma:

com elas se eleva das coisas terrenas e ascende do visível ao invisível”.

Santo Antônio de Pádua


[1] Pe. Damián Nannini: sacerdote da Arquidiocese do Rosário (Argentina); Licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma; Diretor da Escola Bíblia do CEBITEPAL – CELAM.

One Response to “‎“Deus vai subindo para o seu trono. Enquanto ele sobe, há gritos de alegria e sons de trombeta”‎”

  1. Nivaldo Avelino disse:

    Obrigado pela ajuda

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