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“A vida eterna é esta: que eles conheçam a ti”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

Leitura: João 17, 1-11

Depois de dizer essas coisas, Jesus olhou para o céu e disse:

— Pai, chegou a hora. Revela a natureza divina do teu Filho a fim de que ele revele a tua natureza gloriosa. Pois tens dado ao Filho autoridade sobre todos os seres humanos para que ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo. Eu revelei no mundo a tua natureza gloriosa, terminando assim o trabalho que me deste para fazer. E agora, Pai, dá-me na tua presença a mesma grandeza divina que eu tinha contigo antes de o mundo existir.

— Eu mostrei quem tu és para aqueles que tiraste do mundo e me deste. Eles eram teus, e tu os deste para mim. Eles têm obedecido à tua mensagem e agora sabem que tudo o que me tens dado vem de ti. Pois eu lhes entreguei a mensagem que tu me deste, e eles a receberam, e ficaram sabendo que é verdade que eu vim de ti, e creram que tu me enviaste.

— Eu peço em favor deles. Não peço em favor do mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e a minha natureza divina se revela por meio daqueles que me deste. Agora estou indo para perto de ti. Eles continuam no mundo, mas eu não estou mais no mundo. Pai santo, pelo poder do teu nome, o nome que me deste, guarda-os para que sejam um, assim como tu e eu somos um.

Oração:

O evangelista João apresenta-nos longa prece de Jesus antes da paixão. Hoje, a Igreja oferta, para a nossa oração, parte dessa conversa entre o Pai e o Filho.

Pois tens dado ao Filho autoridade sobre todos os seres humanos para que ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste. Jesus, quando conversa com o Pai, “lembra-Lhe” que o Pai lhe dera autoridade sobre os seres humanos todos, isto é, havia enviado o Filho para que ensinasse o que mais importava, sobre os mandamentos verdadeiros por trás das regras e, sobretudo, sobre como cada um(a) é importante para Ele, de quem somos e sempre seremos filho(a)s, independentemente de quaisquer situações, contextos, estados… Jesus lembra ao Pai que Ele lhe havia dado autoridade para dar a vida eterna a todos que o Pai lhe confiara. E então Jesus explica o que a vida eterna é…

E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo. Jesus tem definição muito simples sobre o que é a vida eterna: a vida não tem fim quando se conhece o Pai e o Filho. “Conhecer” é para nós verbo descritivo de ação muito simples; significa “compreender, dominar, entender”. Para apreender a profundidade do que Jesus diz, é preciso ter em mente o que “conhecer” significa na Bíblia: “[…] o ‘conhecimento’ não provém de uma operação puramente intelectual, mas da ‘experiência’, de uma presença […] ele desabrocha, necessariamente, em amor […]”*.

Nessa perspectiva, a vida não tem fim quando “experimentamos” Deus, quando percebemos que Ele é presença e não um objeto de investigação sob a lente de nosso microscópio. Assim não se pode conhecer Deus, mas é possível buscar a experiência de sua presença… Na oração, podemos buscar na memória aqueles momentos em que eu percebi essa presença em minha vida, os momentos nos quais eu O experimentei. Qual era o gosto dessa companhia? Qual era a cor desse dia? Qual era o sentimento que essa presença despertava em mim? Espanto? Assombro? Alegria? Esperança? Devoção? Medo? Amor? À oração tragamos essas lembranças e fiquemos um tempo revivendo aqueles momentos. Por fim, perguntemos: como é que eu conheço Deus hoje? Isto é, eu O experimento em quais situações? Como ou quando é que sinto sua presença atualmente?

Eu mostrei quem tu és para aqueles que tiraste do mundo e me deste. Podemos continuar a oração com esse versículo. Jesus afirma ter mostrado quem Deus é àqueles com os quais se encontrara pelo caminho. Neste segundo momento, podemos nos perguntar: quem tem me mostrado Deus? Às vezes, foram nossos pais, quando éramos ainda muito novos, os que nos apresentaram Deus. Talvez tenha sido alguém da escola, um(a) professor(a) ou um(a) colega. Talvez eu tenha ouvido falar d’Ele pelas ruas e tenha buscado eu mesmo encontrá-Lo. Seja qual for meu caminho, que deus me apresentaram? Era mesmo Deus?

O Deus que Jesus apresentou àqueles com quem conversava tinha forma bem definida. Jesus diz que Deus e ele são um (Jo 10, 30) e, por isso, sabemos que Deus tem os sentimentos de Jesus… procede em relação à Trindade o que se diz às vezes para falar das pessoas: “o filho é a cara do pai!”, ouve-se muitas vezes. Comparemos, portanto, a imagem do deus que nos apresentaram como a imagem do Deus que Jesus apresenta, a fim de sabermos se fomos apresentados a Deus realmente… na oração, vejamos, pelo Filho, o Pai.

O Filho afirma-se como o bom pastor, que vai atrás da ovelha perdida mesmo que seja apenas uma (Jo 10, 1-10)… O Filho não condena, perdoa, deixa ir em paz (Jo 8, 1-11)… O Filho cura e afasta o mal (Mt 8, 16)… O Filho fica triste e chora (Jo 11, 32-35). Invertendo um pouco o que popularmente se diz, pode-se afirmar, em relação à Trindade: “Tal Filho, tal Pai”. Mais uma vez: que deus me apresentaram? Foi esse, o Pai do qual falava Jesus e de quem Jesus é rosto?

Peçamos, ao fim da oração, que tenhamos sempre a graça de “experimentá-Los”, sentir a “Presença” e saber quem Eles são e o que definitivamente não podem ser.

* Conforme a “Bíblia de Jerusalém”, Editora Paulus, 2002, p. 1869.

João Gustavo H. M. Fonseca, Família Verbum Dei de Belo Horizonte

 

2 Responses to ““A vida eterna é esta: que eles conheçam a ti””

  1. João Paulo Salgado dos Reis disse:

    Na oração de hoje, lembrei muito da imagem de Deus que meus pais, minha comunidade-bairro, os missionários da Pia Sociedade São Caetano me mostraram. Talvez quando se falava de Deus tinha o tom do Deus que castigava, implacável, que tinha que temer. Mas, o que mais ficou evidenciado foram as ações que me revelaram um Deus que saia ao encontro, solidário, simples… E me lembrei que quando tinha 7 para 8 anos, as missionários visitavam bastante minha casa, minha mãe muito doente. Então, havia uma música do Pe Zezinho que cantava bastante em minha comunidade “Balada por um Reino”. Hoje, rezando esse texto, me enche de alegria que “por causa de certo reino, estrada eu caminhei, buscando sem ter sossego, o reino que vislumbrei”.

  2. Edilene disse:

    Conheci Deus Jesus desde muito cedo, minha mãe sempre tão religiosa, rezava comigo mostrando um Deus amor e misericórdia, depois foi me levando nos lugares em que senti sua presença, sempre em grandes momentos de angústias e desesperos meu, bem nos momentos mais difíceis era ali que ele se manifestava com seu amor incondicional e sua misericórdia, hoje procuro estar em sua presença sempre, tento seguir seus passos e quando tropeço e caiu, lá está ele para segurar minha mão me amparar e me erguer do chão, me levantar. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

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