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“Escuta o meu grito, ó Senhor!”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

Vem, Espírito Santo, e coloca-me em sintonia contigo.

Vem, Espírito Santo, para que, em comunidade, possamos seguir Jesus.

Vem, Espírito Santo, e faze com que este encontro com a Boa Notícia nos mova e impulsione à missão.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Marcos 3.20-35

O poder de Jesus para expulsar demônios

Mateus 12.22-32; Lucas 11.14-23; 12.10

20Quando Jesus foi para casa, uma grande multidão se ajuntou de novo, e era tanta gente, que ele e os discípulos não tinham tempo nem para comer. 21Os parentes de Jesus souberam disso e foram buscá-lo porque algumas pessoas estavam dizendo que ele estava louco. 22Alguns mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam:

— Ele está dominado por Belzebu, o chefe dos demônios. É Belzebu que dá poder a este homem para expulsar demônios.

23Então Jesus chamou todos e começou a ensiná-los por meio de parábolas. Ele dizia:

— Como é que Satanás pode expulsar a si mesmo? 24O país que se divide em grupos que lutam entre si certamente será destruído. 25Se uma família se divide, e as pessoas que fazem parte dela começam a lutar entre si, ela será destruída. 26Se o reino de Satanás se dividir em grupos, e esses grupos lutarem entre si, o reino não continuará a existir, mas será destruído.

27 — Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar os seus bens, sem primeiro amarrá-lo. Somente assim essa pessoa poderá levar o que ele tem em casa.

28 — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: os pecados que as pessoas cometem ou as blasfêmias contra Deus poderão ser perdoados. 29Mas as blasfêmias contra o Espírito Santo nunca serão perdoadas porque a culpa desse pecado dura para sempre.

30Jesus falou assim porque diziam que ele estava dominado por um espírito mau.

A mãe e os irmãos de Jesus

Mateus 12.46-50; Lucas 8.19-21

31Em seguida a mãe e os irmãos de Jesus chegaram; eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Muita gente estava sentada em volta dele, e algumas pessoas lhe disseram:

— Escute! A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora, procurando o senhor.

33Jesus perguntou:

— Quem é a minha mãe? E quem são os meus irmãos?

34Aí olhou para as pessoas que estavam sentadas em volta dele e disse:

— Vejam! Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos. 35Pois quem faz a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

* Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

· O que acontece com Jesus e seus discípulos quando voltam para casa?

· Ao verem Jesus viver e agir daquele jeito, como seus familiares o julgam?

· Como os escribas de Jerusalém interpretam as expulsões de demônios realizadas por Jesus?

· O que diz Jesus aos escribas a fim de demonstrar-lhes a equivocada interpretação?

· Que pecada não tem possibilidade de perdão e por quê?

· Qual é a condição essencial para ser “família” de Jesus?

 

* Algumas pistas para compreender o texto:

Pe. Damian Nannini1

 

Neste evangelho, podemos distinguir três partes: a primeira (3.20-21) e a terceira (3.31-15), que delimitam o texto, têm como tema comum as relações de Jesus com sua família; na parte central (3.23-30), temos a acusação dos escribas contra Jesus por estar supostamente possuído por um demônio, e a resposta do próprio Jesus a essa acusação.

O texto começa situando Jesus e seus discípulos de volta a “casa”, que seria a casa que Pedro tinha em Cafarnaum (cf. 1.29), com a intenção de descansar e partilhar. Contudo, a situação que se apresenta é outra, pois se junta tanta gente que nem sequer podiam comer. Os “seus”, ou seja, seus “parentes”, inteiram-se da situação e vão buscá-lo com a intenção de levá-lo consigo porque “estava louco”, “está fora de si” ou “está exaltado”. Este julgamento de valor a respeito do agir de Jesus por parte de seus parentes não deixa de ser duro e forte. Possivelmente sentem que o “alvoroço social” que esta atuação de Jesus provoca está prejudicando a honra de sua família. No âmbito teológico, deve-se interpretar como mais uma manifestação da incompreensão diante da obra e da mensagem de Jesus que inclui não somente as autoridades judaicas, mas também sua própria família e seus próprios discípulos (J. Gnilka).

Entram em cena “alguns mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém”, e fazem um juízo de valor ainda pior a propósito do agir de Jesus: está possuído por um demônio e opera movido por um poder diabólico (3.22).O poder demoníaco teria uma hierarquia, e é justamente pelo “príncipe ou pelo chefe dos demônios” que Jesus expulsa os “demônios”.

Então Jesus chama os escribas e, por meio de “parábolas” ou comparações, procura demonstrar-lhes o absurdo da acusação (3.23-26). Se o príncipe dos demônios, que é Satanás, é quem expulsa os próprios demônios, isto quer dizer que há uma divisão interna, que é caminho certo para a destruição, como acontece com um reino ou com uma família dividida.

O v. 27 apresenta-nos outra breve parábola ou comparação que explica a atividade de exorcista de Jesus de modo positivo, dizendo que para saquear a casa de um homem forte e poderoso, primeiro é preciso amarrar seu dono. Ou seja, Jesus é quem domina com o poder de Deus o homem forte, que é Satanás, e liberta os homens que ele mantém prisioneiros em sua casa, em seu reino do mal.

Nos vv. 28-30, retoma-se o tom polêmico, como deixa claro o v. 30: “Jesus falou assim porque diziam que ele estava dominado por um espírito mau”. Em primeiro lugar, estabelece o princípio do perdão total que Deus oferece a todos os homens, pois inclui “todos os pecados e blasfêmias” que possam ter cometido (v. 28). Em seguida, porém (v. 29), declara que há uma exceção a este princípio geral: jamais será perdoada a “blasfêmia com o Espírito Santo”. A blasfêmia é um falar ofensivo e desrespeitoso contra Deus ou seus enviados. Esta é perdoada. No entanto, a blasfêmia contra o Espírito Santo não, porque se trata da rejeição da salvação oferecida por Jesus, pois em vez de reconhecer que ele está realizando a ação salvadora de Deus por meio do Espírito Santo, atribuem tudo a um espírito impuro, ou seja, a um demônio. “Um pecado contra o Espírito Santo não é simplesmente um ato, mas uma disposição espiritual permanente, um resistir à ação salvadora de Deus. Na medida em que um homem persiste obstinadamente em sua oposição a Deus, exclui-se a si mesmo da salvação. E é precisamente isto o que acontece quando alguém atribui ao espírito satânico as ações do Espírito divino reconhecíveis em Jesus “ (R. Schnackenburg).

No final do texto, retoma-se o tema da família de Jesus (3.31-35). Diz-nos o evangelho que eles se aproximam, mas não podem ou não querem entrar na casa; e mandam-no chamar. Nesse momento, Jesus “rebate as pretensões de seus parentes, aludindo a uma nova família que começa a constituir-se em torno dele” (J. Gnilka). Jesus declara a substituição de uma família fundada em laços de sangue (parentesco) por uma nova família cujo vínculo está no cumprimento da vontade de Deus.

Em resumo, o texto mostra-nos que para compreender e aceitar Jesus e sua obra não basta o olhar simplesmente humano, a partir de uma lógica social, como no caso de seus parentes; tampouco o olhar de suspeita ou receio dos guardiães da religião oficial, o dos escribas de Jerusalém. Para eles, Jesus aparece como alguém louco ou endemoninhado. Resta como único caminho válido o tornar-se sua família, pertencer à sua casa, aceitando e cumprindo a vontade de Deus que Jesus está revelando, e que é o oferecimento do perdão que liberta da escravidão do pecado e do domínio do mal. Quem responder a este chamado de Deus, seguindo a Jesus, crendo e confiando nele, poderá compreender “o segredo do reino de Deus” (Mc 4.11).

 

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

Embora muitas vezes não nos demos conta, a vida é um combate contínuo, uma luta entre o bem e o mal. E cada dia temos de escolher de que lado nos situamos, se no do bem ou no do mal.

Na Bíblia, desde o Gênesis até o Apocalipse, do princípio ao fim, encontramos refletido este combate, esta luta entre o bem e o mal que tem como protagonistas, em diversos níveis de ação, Deus, o homem livre e Satanás ou o tentador. E diante do triunfo do mal e da derrota do homem, Deus decide comprometer-se a fundo nesta luta: temos a Encarnação, quando Deus se faz homem em Jesus Cristo. Desde então, o Senhor Jesus está do lado da humanidade ferida e cativa, oferecendo o perdão e a libertação. Também nos convida a ser protagonistas neste combate, a segui-lo pelo caminho do amor, da verdade, do compromisso pela justiça e da doação de nossa vida em busca do bem dos outros.

Contudo, ao mesmo tempo, o tentador continua ativo e quer levar-nos pelo caminho do egoísmo, da mediocridade, do conformismo. Como diz muito bem o Papa Francisco: “A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. Esta luta é magnífica, porque nos permite cantar vitória todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida.

“Não se trata apenas de uma luta contra o mundo e a mentalidade mundana, que nos engana, atordoa e torna medíocres sem empenhamento e sem alegria. Nem se reduz a uma luta contra a própria fragilidade e as próprias inclinações (cada um tem a sua: para a preguiça, a luxúria, a inveja, os ciúmes, etc.). Mas é também uma luta constante contra o demônio, que é o príncipe do mal. O próprio Jesus celebra as nossas vitórias. Alegrava-se quando os seus discípulos conseguiam fazer avançar o anúncio do Evangelho, superando a oposição do Maligno, e exultava: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago»” (Lc 10, 18) (Gaudete et exsultate 158-159).

Para que a vitória do bem seja possível, temos de incorporar-nos à nova família de Jesus, buscando sempre cumprir a vontade do Pai. É o que disse o Papa Bento XVI em seu discurso inaugural em Aparecida: “O que nos dá a fé neste Deus? A primeira resposta é: dá-nos uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé liberta-nos, de igual modo, do isolamento do eu, porque nos leva à comunhão: o encontro com Deus é, em si mesmo e como tal, encontro com os irmãos, um ato de convocação, de unificação e de responsabilidade pelo outro e pelos demais”2.

Como membros desta nova família, poderemos ser verdadeiramente livres, porque Jesus nos liberta do pecado e do egoísmo, ensinando-nos a amar-nos de verdade. Com efeito, “quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (EG 1). Quem aceita o senhorio de Jesus em sua vida, experimenta uma grande paz interior, pois tudo se vai organizando, e esta ordem interior permite-nos compreender e discernir melhor o que nos acontece na vida; ajuda-nos a reagir sempre a partir do amor.

Por fim, sigamos o exemplo de Jesus, que viveu “fora de si” e não centrado ou encaracolado em si mesmo. Não buscou a si mesmo, mas esqueceu-se de si e viveu entregue aos outros, levado pelo amor. E por viver deste modo tão radical, foi tachado de louco e de endemoninhado. Certamente acontecerá a mesma coisa conosco se nos comprometermos de verdade no seguimento de Jesus, que nos leva à entrega aos demais, pois “no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros” (EG 177).

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

· Já me trataram como louco por levar uma vida “fora do comum”?

· Como me senti e como regi diante desta crítica? De quem veio?

· Experimento minha vida cristã como um combate entre as forças do bem e do mal?

· Descubro a ação do Espírito Santo em minha vida e procuro segui-la?

· Sinto minha comunidade como uma família onde reina o amor e a liberdade?

· Contribuo para criar este clima familiar em minha comunidade ou semeio a divisão?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Jesus, por dares tua vida, sempre,

mesmo que os teus de tratem por louco.

Hoje também quero seguir-te: envia-me teu Espírito.

Concede-me sentir tua companhia em cada combate, em cada falta de vontade.

Afasta de mim toda falta de compromisso e de alegria.

Que sempre triunfem o serviço, os gestos de ternura e de comunhão.

Desse modo, em minha comunidade, cumprindo a vontade do Pai,

poderei encontrar uma nova família e, juntos, somente juntos,

sairemos de nós mesmos, em direção a todos, ao Reino.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

“Jesus, concede-me o dom de sentir o agir do Espírito em minha vida e na de minha comunidade”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Escolho um dia da semana para participar da Eucaristia; se não puder fazê-lo, farei a comunhão espiritual.

“A Eucaristia é um banquete no qual comemos com Cristo, comemos a Cristo, e somos comidos por Cristo”.

Santo Agostinho

One Response to ““Escuta o meu grito, ó Senhor!””

  1. MARIA DE LOURDES MUNHOZ disse:

    Obrigada.

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