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“A voz do Senhor é cheia de poder e majestade”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

Espírito Santo, sê meu companheiro neste encontro com a Palavra.

Espírito Santo, tira-me o que me impede de escutar Jesus.

Espírito Santo, concede-me a docilidade para tornar o evangelho vida.

Espírito Santo, move-me para que, junto com minha comunidade,

sejamos anunciadores da Boa Nova.

Amém.

 

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 3.15-16,21-22

A mensagem de João Batista

Mateus 3.1-12; Marcos 1.1-8; João 1.19-28

 

15As esperanças do povo começaram a aumentar, e eles pensavam que talvez João fosse o Messias. 16Mas João disse a todos:

— Eu batizo vocês com água, mas está chegando alguém que é mais importante do que eu, e não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.

 

O batismo de Jesus

Mateus 3.13-17; Marcos 1.9-11

 

21Depois do batismo de todo aquele povo, Jesus também foi batizado. E, quando Jesus estava orando, o céu se abriu, 22e o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba sobre ele. E do céu veio uma voz, que disse:

— Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

 

* Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. Que semelhanças e que diferenças existem entre o batismo de João e o de Jesus, o Messias?

2. Como se define João em relação ao Messias que virá?

3. O que acontece quando Jesus se faz batizar?

4. De quem é a voz que se escuta e por que é tão importante o que diz?

5. Estão as três pessoas da Santíssima Trindade presentes na narrativa?

 

* Algumas pistas para compreender o texto:

 

Mons. Damian Nannini1

 

 

O texto do evangelho que a liturgia da Palavra nos oferece apresenta dois parágrafos justapostos: o primeiro corresponde ao final da pregação de João Batista (3.15-16), e o segundo é propriamente a narração lucana do Batismo de Jesus (3.21-22).

Com relação aos primeiros versículos, podemos dizer que o final da pregação do Batista está claramente orientado para Jesus e busca diferençar e subordinar o batismo e a figura de João ao batismo cristão e à figura de Cristo (Messias). Sua finalidade é corrigir as expectativas errôneas das pessoas acerca do Messias, porquanto João declara abertamente que não é o Messias, e que este virá depois dele.

No que concerne à narrativa do batismo de Jesus, a descrição é bastante breve, o que indica que este fato não é o mais importante para Lucas, mas sim a teofania que o acompanha. Por este mesmo motivo, Lucas nem sequer menciona João Batista; apenas diz que “Depois do batismo de todo aquele povo, Jesus também foi batizado”.

Outra particularidade própria de Lucas é que a manifestação do Espírito se dá enquanto Jesus está orando; é quando, então, o “céu se abriu”. Este abrir-se ou rasgar-se dos céus poderia ser uma referência a Is 64.1: “Como gostaríamos que tu rasgasses os céus e descesses”. Desse modo, esta súplica do profeta para que Deus rompa seu silêncio e se manifeste vê seu cumprimento em Jesus. Também podemos ver aqui a realização do que foi dito por Is 61.1, de que o Messias seria o ungido pelo Espírito: “O Senhor me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu”. Ficam evidentes aqui a unção profética de Jesus e sua missão messiânica (cf. c 4.15-22).

O Espírito de Deus é visível claramente; Lucas, porém, especifica que aqui assumiu a “forma corporal” de uma pomba quando desce sobre Jesus. Não é fácil determinar a razão da imagem da pomba, mas certamente é frequente na Escritura (cf. Gn 1.2; 8.8; Is 38.14; Os 7.11; Sl 55.7). Entre todas as possíveis citações bíblicas, parece-nos importante a referência a Gn 1.2, onde se diz que o Espírito de Deus “adejava”. Daqui surgirá a relação simbólica do Espírito com uma ave.

A voz dos céus não pode ser outra senão a voz de Deus, do Pai. E a voz do Pai se dirige diretamente a Jesus, a quem reconhece como seu Filho amado: “Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria”. Costuma-

se reconhecer nesta expressão alusões ao Sl 2.7, com investidura real e messiânica (“Anunciarei o que o Senhor afirmou. O Senhor me disse: ‘Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai’”); e a Is 42.1, que fala do Servo sofredor como aquele que é amado e objeto de complacência por parte de Deus (“Aqui está o meu servo, a quem eu fortaleço, o meu escolhido, que dá muita alegria ao meu coração. Pus nele o meu Espírito, e ele anunciará a minha vontade a todos os povos”). A figura de Jesus se funde com a do Servo.

O título de filho Deus é um título messiânico segundo o oráculo de Natã (cf. 2Sm 7.14; Sl 2.7; 88.27-28). Contudo, a voz do céu, mais do que conferir uma missão, como no Sl 2.7, revela-nos a relação estável que une Jesus com Deus, seu Pai.

Em síntese, no batismo, o Pai revela-nos a identidade de Jesus como Filho de Deus; e com a menção do Espírito Santo que desce, é-nos oferecida também uma revelação do mistério do Deus Trindade.

 

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

A festa do Batismo do Senhor encerra o tempo de Natal e, por isso, é preciso entendê-la e celebrá-la em continuação com a solenidade do nascimento de Jesus. Efetivamente, como disse o Papa Francisco, “celebrando o Natal, a fé confere-nos mais uma vez a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus. E no dia do batismo de Cristo ainda contemplamos os céus abertos. A manifestação do Filho de Deus na terra assinala o início do grande tempo da misericórdia, depois que o pecado tinha fechado os céus, elevando como que uma barreira entre o ser humano e o seu Criador. Com o nascimento de Jesus abrem-se os céus! Deus concede-nos em Cristo a garantia de um amor indestrutível. Portanto, desde que o Verbo se fez carne é possível ver os céus abertos. Foi possível para os pastores de Belém, para os Magos do Oriente, para João Batista, para os Apóstolos de Jesus, para santo Estêvão, o protomártir que exclamou: ‘Eis que contemplo os céus abertos!’ (At 7.56). E será possível também para cada um de nós, se nos deixarmos invadir pelo amor de Deus, que nos é concedido pela primeira vez mediante o Batismo, por meio do Espírito Santo. Deixemo-nos invadir pelo amor de Deus! Este é o grande tempo da misericórdia! Não o esqueçais: este é o grande tempo da misericórdia!” (Angelus, 12 de janeiro de 2014).

A teofania que se segue ao batismo nos conecta, de certo modo, com o próprio Mistério da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo As Três pessoas divinas se fazem presentes aqui. A relação da pessoa de Jesus, como Filho, com o Pai e o Espírito é eterna, mas, a partir da Encarnação, entrou no tempo e se manifesta no tempo, incluindo-se agora a humanidade de Jesus. No Natal, junto ao Menino Jesus, víamos sua Mãe e São José, sua família humana. Hoje se nos revela sua Família Trinitária, o Pai e o Espírito em comunhão com o Filho feito homem em Jesus.

Jesus recebe aqui o Espírito Santo e a “declaração de amor” de seu Pai. Este é o princípio e o fundamento da vida de Jesus: saber-se amado pelo Pai, saber-se aprovado pelo Pai que nele se compraz. Aqui está o segredo da liberdade interior e afetiva de Jesus. Não sai mendigando amor porque já o tem. Não sai esmolando a aprovação dos homens porque já tem a aprovação do Pai. Jesus recebe o Amor pessoal de Deus, o Espírito Santo. É ungido pelo Espírito. Por isso, sua vida terá a liberdade concedida pelo Espírito Santo, que conduzirá sua missão neste mundo.

O dia do Batismo do Senhor convida-nos a recordar não apenas o batismo de Jesus, mas também nosso batismo. Nós, ao sermos batizados, recebemos a filiação adotiva pela qual o Pai nos ama como a filhos seus em seu Filho Jesus, e se compraz em nós como se comprouve nele. Trata-se da vida de filhos de Deus que nos foi transmitida no dia do Batismo, quando, “ao participar da morte e ressurreição de Cristo”, começou para nós “a aventura jubilosa e empolgante do discípulo” (Bento XVI, Homilia na festa do Batismo do Senhor, 10 de janeiro de 2010).

Nós também precisamos descobrir neste “sentir-nos amados e aprovados pelo Pai” o princípio e o fundamento de nossa vida e a fonte de nossa liberdade interior e afetiva. A este respeito, escreve H. Nouwen: “Tua verdadeira identidade é ser filho de Deus. Esta é a identidade que deves aceitar. Uma vez que a reivindicaste e te instalaste nela, podes viver em um mundo que te proporciona muita alegria e também muita dor. Podes receber elogios ou calúnias que chegam a ti como uma ocasião para fortalecer tua identidade fundamental, porque a identidade que te torna livre lançou sua âncora para além de todo elogio e de toda calúnia humana”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Tenho consciência viva de ser filho de Deus mediante meu batismo?

2. Ressoa em mim a declaração de amor paterno que Deus me fez em meu batismo?

3. Encontro no amor do Pai o princípio e fundamento de minha vida que me faz livre?

4. Procuro ser e viver em todo momento como filho de Deus?

5. Busco manifestar a outras pessoas a maravilha de sermos filhos amados por Deus?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por teu batismo.

Obrigado pela declaração de amor que recebemos.

Abre todo o meu ser a este amor.

Que eu possa dá-lo e dar-me a todos.

Eu também sou o predileto do Pai.

Purifica-me de querer parecer bem e buscar ser sempre escolhido.

Liberta-me de minhas escravidões: quero viver a liberdade de filho de Deus.

Que unido a meus irmãos, possamos anunciar a outros a maravilha de ser família, tua família.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, torna-me consciente de que sou filho predileto do Pai”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me procurar minha data de batismo e rezar por aqueles que neste mês recebem este sacramento.

 

 

“Tu pertences a Deus e, como filho de Deus, foste enviado ao mundo”.

H. Nouwen

2 Responses to ““A voz do Senhor é cheia de poder e majestade””

  1. Delzuite disse:

    Adorei as orações

  2. Delzuite disse:

    Manda mais orações.
    Estou sempre lendo!

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