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“Cantem uma nova canção a Deus, o Senhor”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

Espírito Santo, sê meu companheiro neste encontro com a Palavra.

Espírito Santo, tira-me o que me impede de escutar Jesus.

Espírito Santo, concede-me a docilidade para tornar o evangelho vida.

Espírito Santo, move-me para que, junto com minha comunidade,

sejamos anunciadores da Boa Nova.

Amém.

 

 

TEXTO BÍBLICO: Jo 2.1-11

Jesus vai a um casamento

 

1Dois dias depois, houve um casamento no povoado de Caná, na região da Galileia, e a mãe de Jesus estava ali. 2Jesus e os seus discípulos também tinham sido convidados para o casamento. 3Quando acabou o vinho, a mãe de Jesus lhe disse:

— O vinho acabou.

4Jesus respondeu:

— Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer. Ainda não chegou a minha hora.

5Então ela disse aos empregados:

— Façam o que ele mandar.

6Ali perto estavam seis potes de pedra; em cada um cabiam entre oitenta e cento e vinte litros de água. Os judeus usavam a água que guardavam nesses potes nas suas cerimônias de purificação. 7Jesus disse aos empregados:

— Encham de água estes potes.

E eles os encheram até a boca. 8Em seguida Jesus mandou:

— Agora tirem um pouco da água destes potes e levem ao dirigente da festa.

E eles levaram. 9Então o dirigente da festa provou a água, e a água tinha virado vinho. Ele não sabia de onde tinha vindo aquele vinho, mas os empregados sabiam. Por isso ele chamou o noivo 10e disse:

— Todos costumam servir primeiro o vinho bom e, depois que os convidados já beberam muito, servem o vinho comum. Mas você guardou até agora o melhor vinho.

11Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Assim ele revelou a sua natureza divina, e os seus discípulos creram nele.

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

 

* Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. Onde se celebrou a boda e quem foi convidado?

2. O que aconteceu na boda e que intervenção fez Maria?

3. Como reage Jesus diante do pedido de sua Mãe?

4. O que diz Maria e o que Jesus finda por fazer?

5. Que valor simbólico tem o vinho neste relato?

6. Por que se diz que é o primeiro sinal e que os discípulos creram em Jesus?

 

 

* Algumas pistas para compreender o texto:

 

Mons. Damian Nannini1

 

 

Na apresentação do relato, são importantes os termos “boda” e “vinho”, que se repetem duas vezes cada um, e têm valor simbólico. Também se fala da presença da “mãe de Jesus” (em surpreendente primeiro lugar) e, em seguida, também de Jesus e de seus discípulos. Nada se diz dos noivos nem de suas famílias. Portanto, Jesus e Maria aparecem como os protagonistas do relato.

As diversas fontes judaicas informam-nos que uma festa nupcial de tais características durava muitos dias, sete, em geral. Razão por que é verossímil o que aconteceu: que se tenha acabado o vinho. E Maria é quem percebe esta falta de vinho e a comunica a Jesus (2.3).

A resposta de Jesus em 2.4 – “Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer. Ainda não chegou a minha hora” – é algo surpreendente. Ao que parece, Jesus julga inoportuno intervir naquele momento, pois não havia chegado “sua hora”. No evangelho de João, a “hora” de Jesus é o acontecimento pascal da paixão, morte e ressurreição. Essa “hora” é o momento esperado, anunciado, preparado e realizado. É a “hora” de passar deste mundo para o Pai. É a “hora” de Cristo como cumprimento das promessas.

No que se segue, Maria e Jesus, dois convidados às bodas, são os que dão as ordens aos empregados: “Façam o que ele mandar”, “Encham de água estes potes”, “Agora tirem um pouco da água destes potes e

levem ao dirigente da festa”. E os empregados fazem o que lhes é ordenado. João sublinha a obediência imediata e perfeita dos empregados.

Tanto os potes vazios quanto o vinho têm aqui sentido simbólico. Os Padres viram na “água das purificações” uma figura da Lei, que Jesus transforma na Graça do Evangelho. A purificação mediante a Lei de Moisés terminou; agora será fruto do Evangelho, da Palavra de Cristo (cf. Jo 15.3). Além do mais, o fato de estarem vazios indicaria que a lei esgotara todas as suas possibilidades e já não pode gerar vida, devendo dar lugar ao “vinho novo” da Graça. De fato, o vinho novo das bodas de Caná é o vinho messiânico que ele guardou até agora, pois Jesus transforma a água da Lei antiga no vinho da Lei nova: “A lei foi dada por Meio de Moisés, mas o amor e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1,17). Estas palavras do capítulo primeiro se tornam relato no capítulo segundo. A Lei nova, Lei da graça e da verdade, é-nos dada por Jesus Cristo, na “manifestação” que ele faz de si mesmo.

Em 2.11, a narrativa conclui-se comentando: “Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Assim ele revelou a sua natureza divina, e os seus discípulos creram nele”. Portanto, o objetivo deste primeiro sinal e milagre é levar os discípulos a uma fé cada vez mais profunda.

Em conclusão, as bodas de Caná aparecem como o sinal da chegada do tempo prometido. Deus, em Jesus, chega a satisfazer de modo superabundante a espera, e transforma a água das purificações da antiga lei no vinho novo do Reino de Deus que chegou.

 

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

O sentido litúrgico do evangelho das bodas de Caná, em razão de sua vinculação com as festas da Epifania e do Batismo de Jesus que celebramos anteriormente, é a manifestação do Senhor Jesus, a primeira que o evangelho de João nos narra.

Concretamente, nas bodas de Caná, Jesus manifesta-se como o Divino Esposo de seu novo Povo, a Igreja, a qual ele vem resgatar, libertar, encher de júbilo e de alegria. É uma extraordinária Boa notícia, de Deus e de seu amor para conosco, de sua proximidade e até de seu amor apaixonado.

Diante desta manifestação, cabe-nos, nada mais nada menos, crer e experimentar este amor apaixonado de Jesus por nós e aceitar a novidade do evangelho; aceitar a transformação da água em vinho, a passagem do regime da Lei para a vida da Graça. Ou seja, deixar-nos amar e salvar por Deus.

Hoje somos convidados a meditar em tantos vazios, como os potes de Caná, que existem em nossa vida. Vazios de amor, de amizades, de sentido da vida. Quanto nos falta para sermos felizes, para ficarmos plenos. E chegamos também a experimentar o vazio das ofertas consumistas do mundo que nunca satisfazem totalmente. Oxalá nos demos conta e o digamos a Maria. Porque Maria sempre se dá conta de nossos vazios,

daquilo que nos falta, e di-lo a Jesus, para que nos ajude, que nos preencha com seu amor. O Senhor veio para isto, em sua missão; é o que Deus lhe ordenou fazer em relação a nós.

Sabemos que não é fácil aceitar de coração esta boa notícia. Um orgulho sutil nos impede de desistir de salvar-nos por nós mesmos e por nossos meios, em vez de abrir-nos à salvação que vem pela misericórdia de Deus. Preferimos ficar com os potes “cheios”, mas de água, a aceitar a “eterna novidade” do vinho novo e melhor.

Por fim, que Maria descubra nossa carência de vinho e interceda para que o Senhor nos conceda uma alegria transbordante e um apaixonado fervor evangélico.

 

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Tenho consciência de minha falta de alegria e de prazer em viver?

2. Ultimamente, tenho sentido alguma sensação de vazio, de não sentir-me satisfeito com meu estilo de vida ou com meus desejos e projetos?

3. Já experimentei o cuidado terno e maternal de Maria em minha vida?

4. Recorro confiadamente a ela em meus problemas e dificuldades?

5. Deixo que o Senhor transforme minha água em vinho e me encha de seu amor e de sua alegria?

 

 

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por teu amor apaixonado.

Obrigado por te manifestares e por partilhares Maria conosco.

Concede-me uma alegria transbordante.

Que não prefira meus potes vazios de sentido e carentes de ternura.

Enche-me com a novidade do evangelho, de seu frescor.

Transforma minha água em vinho, e já nada será como antes.

Quero ser dócil e, juntamente com meus irmãos, fazer tudo o que nos disseres.

Somente assim chegarei a crer em ti.

Peço-te junto a Maria, Mãe e Senhor da Alegria.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, faze-me experimentar teu amor apaixonado e tua alegria transbordante”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me viver a alegria com um gesto concreto com algum irmão que me custa aceitar.

 

 

“Hoje a Virgem nos diz a todos nós: ‘Façam tudo o que ele lhes disser’. É a recomendação simples, mas essencial da Mãe de Jesus, e é o programa de vida do cristão. Para cada um de nós, tirar dos potes equivale a confiar na Palavra de Deus para experimentar sua eficácia na vida”.

Papa Francisco

3 Responses to ““Cantem uma nova canção a Deus, o Senhor””

  1. Maria do Socorro Mota disse:

    A prática da meditação me faz muito bem. Consigo me concentrar e ter foco. Mas quero praticar a medição católica/cristã e não a que tem origem em outros dogmas. Por essa razão quero aprender e exercitar a lectio divina.

  2. João Ferreira De Andrade Neto disse:

    Deus habita em minha vida todos os dias por decisão minha, o Lectio é um alimento essencial na vida dos filhos de Deus!

  3. Pedro Olímpio filho disse:

    Uma belíssima reflexão, Deus abençoe e nossa senhora interceda por todos nós amém

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