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“E, na sombra das tuas asas, esconde-me dos ataques dos maus. E, quando acordar, a tua presença me encherá de alegria”.

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

 

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, ensina-me a escutar,

a refletir a Palavra no encontro cotidiano,

a fecundar a vida na oração com a Bíblia.

Espírito Santo, ensina-me a escutar a Palavra

em comunidade, lendo juntos a Bíblia

para olhar a vida segundo teu Projeto.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 20.27-38

A pergunta sobre a ressurreição

Mateus 22.23-33; Marcos 12.18-27

27Alguns saduceus, os quais afirmam que ninguém ressuscita, chegaram perto de Jesus 28e disseram:

— Mestre, Moisés escreveu para nós a seguinte lei: “Se um homem morrer e deixar a esposa sem filhos, o irmão dele deve casar com a viúva, para terem filhos, que serão considerados filhos do irmão que morreu.” 29Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou e morreu sem deixar filhos. 30Então o segundo casou com a viúva, 31e depois, o terceiro. E assim a mesma coisa aconteceu com os sete irmãos, isto é, todos morreram sem deixar filhos. 32Depois a mulher também morreu. 33Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela!

34Jesus respondeu:

— Nesta vida os homens e as mulheres casam. 35Mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura não vão casar lá, 36pois serão como os anjos e não poderão morrer. Serão filhos de Deus porque ressuscitaram. 37E Moisés mostra claramente que os mortos serão ressuscitados. Quando fala do espinheiro que estava em fogo, ele escreve que o Senhor é “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” 38Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele todos estão vivos.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

ü  Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. Quem são as pessoas que se aproximam de Jesus e o que pensam a respeito da ressurreição?

2. O que lhe perguntam? O que sugerem com tal pergunta?

3. O que Jesus lhes responde? O que acontece com as pessoas depois da morte?

4. Que texto da Escritura Jesus cita e por quê?

5. O que Jesus ensina sobre a vida depois da morte?

 

 

ü  Algumas pistas para compreender o texto:

 

O Evangelho começa dizendo que se aproximaram de Jesus alguns saduceus, que constituíam um dos grupos do judaísmo no tempo de Jesus. Formavam um partido político-religioso cujo nome reportava-se a Zadoque, sacerdote muito ativo nos tempos de Davi e Salomão. Por isso, a maioria de seus membros era composta de sacerdotes provenientes da famílias aristocráticas de Jerusalém. Não admitiam a existência nem dos anjos nem dos demônios, e rejeitavam a ressurreição depois da morte, como nos indica precisamente o evangelho de hoje: “… os quais afirmam que ninguém ressuscita”.

Os saduceus do evangelho de hoje querem saber a opinião de Jesus a este respeito, e interrogam-no apresentando-lhe uma “questão teórica”, com um exemplo inventado a partir da lei do Antigo Testamento, que ordenava a viúva casar-se com o irmão do falecido a fim de que a descendência fosse da mesma família. A pergunta final não deixa de ter um tom irônico e busca ridicularizar a crença na ressurreição: “Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela!”.

A resposta de Jesus tem dois momentos: em primeiro lugar, demonstra-lhes que estão equivocados ao considerar que a vida do mundo futuro é um prolongamento da vida presente. Por isso é que o matrimônio só tem validade para a vida neste mundo, onde existe a morte, e é por meio dele que se perpetua a espécie humana. Na vida eterna, não há nem matrimônio nem morte, mas vida semelhante à dos anjos.

Em segundo lugar, Jesus oferece como argumento em favor da ressurreição o texto de Êx 3.6, no qual Deus fala a Moisés a partir da sarça ardente e se apresenta como “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”.

A chave para interpretar esta resposta de Jesus está no versículo final: “Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele (ou por ele) todos estão vivos” (Lc 30.38). Aqui se afirma que Deus é o doador da vida e pode dá-la até mesmo depois da morte.

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

O evangelho de hoje liga-se ao que de mais real temos, que é nossa vida, e ao desejo de viver e de não morrer. A vida mesma implica o desejo de não ser interrompida, de não ser truncada pela morte. De fato, “de acordo com a Bíblia, o desejo constitutivo do homem é o desejo ilimitado de viver, é o desejo de amar […]. A vida é desejo de viver” (A. Bonora). Por isso, na Bíblia se dá livre curso a toda carga de angústia humana diante da morte (cf. Is 38.1-18). Por definição a morte são trevas, separação de Deus e dos demais. Diante desta situação, vai surgindo a certeza de que Deus, autor da vida, bem pode ser mais forte do que a morte e o Fazedor de uma nova criação (cf. Sl 88). E depois de longa espera, com a morte e a ressurreição de Cristo, chega, enfim, a vitória sobre o pecado e sobre a morte; e abre-se o caminho da Esperança na vida eterna.

Esta vitória supõe superar o vazio, a solidão infinita que a morte presume ao distanciar-nos de todos os nossos vínculos constitutivos, especialmente da relação com o Deus que dá a vida. Justamente por nossa vinculação a Deus é que podemos esperar a vida eterna. Neste sentido, ganha força e sentido a frase do Êxodo que Jesus cita aos saduceus. Como diz muito bem J. Ratzinger: “Dado que Deus é o Deus dos vivos e chama por seu nome sua criatura, o homem, esta criatura não pode sucumbir”.

 A este respeito dizia o Papa Francisco no Angelus de 6 de novembro de 2016: “Jesus pretende explicar que neste mundo vivemos de realidades provisórias, que acabam; ao contrário no além, depois da ressurreição, já não teremos a morte como horizonte e viveremos tudo, também os vínculos humanos, na dimensão de Deus, de modo transfigurado. Inclusive o matrimônio, sinal e instrumento do amor de Deus neste mundo, resplandecerá transformado em plena luz na comunhão gloriosa dos santos no Paraíso.

“Os ‘filhos do céu e da ressurreição’ não são poucos privilegiados, mas são todos os homens e todas as mulheres, porque a salvação que Jesus trouxe é para cada um de nós. E a vida dos ressuscitados será semelhante à dos anjos (cf. v. 36), ou seja, toda imersa na luz de Deus, toda dedicada ao seu louvor, numa eternidade cheia de júbilo e de paz. Mas atenção! A ressurreição não é só o fato de ressuscitar depois da morte, mas é um novo gênero de vida que já experimentamos no hoje; é a vitória sobre o nada que já podemos antegozar. A ressurreição é o fundamento da fé e da esperança cristã!”.

Em síntese, somente o olhar de fé no Deus de Jesus Cristo ilumina o homem sobre o sentido da vida e da morte; e abre-o à esperança de uma eternidade gloriosa.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Sinto o desejo de viver e tenho medo da morte?

2. Creio que há algo depois da morte, ou tudo termina ali?

3. Posso dar a vida eterna a mim mesmo, ou tenho de esperá-la da parte de Deus?

4. Creio que somente Jesus ressuscitado pode comunicar-me a esperança certa de ser transformado depois da morte?

5. Já experimentei a luz da esperança cristã em meio à obscuridade que a morte projeta sobre minha vida?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Ressuscitar, hoje.

Ressuscitar da angústia.

Ressuscitar do que dirão.

Ressuscitar do sair-se bem.

Ressuscitar da tristeza.

Ressuscita-me agora,

pois somente tu podes resgatar-me de minhas mortes cotidianas.

Creio, Jesus,

e vivo para ti.

Amém.

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, ressuscita-me a cada passo”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me identificar em que aspecto de minha vida preciso que Jesus me conceda a ressurreição.

 

“Jesus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, porque para ele, todos estão vivos”.

Santo Irineu de Lião

 

[1] Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

 

 

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