search
top

“Ele fica perto dos que estão desanimados e salva os que perderam a esperança”.

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

 

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, manifesta-te uma vez mais.

Espírito Santo, dá-me um coração que escute.

Espírito Santo, unge-me com teu perfume inconfundível.

Espírito Santo, faze-me experimentar meu batismo

e envia-me a levar tua Palavra neste mês missionário.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 18.9-14

O fariseu e o cobrador de impostos

9Jesus também contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros:

10 — Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. 11O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. 12Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.”

13 — Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!”

14E Jesus terminou, dizendo:

— Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido.

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

ü  Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. A quem Jesus se refere com esta parábola?

2. Quem são os dois homens que sobem para rezar no Templo?

3. O que cada um destes homens diz a Deus e que atitude têm?

4. Como ficaram diante de Deus estes dois homens?

5. Que fará Deus com os que se engrandecem e com os que se humilham?

 

 

 

ü  Algumas pistas para compreender o texto:

Mons. Damian Nannini

 Tal como no domingo anterior, a primeira frase já nos dá a chave para entender a parábola: “Jesus também contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros” (Lc 18.9).

Portanto, a parábola dirige-se especialmente a esta classe de pessoas, as quais são exemplificadas mais adiante com a atitude de um fariseu.

A parábola consiste em mostrar-nos duas pessoas em oração: um fariseu e um publicano. Esta primeira apresentação era por demais eloquente para os contemporâneos de Jesus. Os fariseus constituíam um grupo dentro do judaísmo caracterizado por sua estrita observância da lei, o que os levava inclusive a separar-se dos demais, dos não observantes. Hoje equivaleria a dizer: subiu ao Templo para orar um homem religioso, fiel cumpridor dos mandamentos. Em contraste, temos um publicano, um cobrador de impostos, ou seja, um homem vendido ao poder romano dominante, um ladrão do dinheiro do povo. Hoje diríamos: subiu ao Templo para orar um pecador, um sem-vergonha, para quem não importam nem a lei nem a honra.

Esta é a face externa das personagens e o julgamento ou o olhar da sociedade sobre elas. A parábola concentra-se em descrever-nos sua oração diante de Deus. O fariseu reza de pé, segundo o costume da época, e supomos que à frente, no átrio dos israelitas, pois se sente próximo a Deus. Em sua oração, dando graças a Deus, compara-se com os outros, aos quais julga como avarentos, desonestes e imorais; e também se compara com “esse” publicano. Em seguida, olha para si mesmo e enumera seus atos virtuosos, que vão além do exigido: seus jejuns e sua paga do dízimo de tudo o que ganha. Agradece a Deus, mas desprezando os demais e exaltando a si mesmo. Não pede nada a Deus; antes, mostra-lhe suas obras meritórias. Como bem nos indica F. Bovon, o fariseu mais do que falar a Deus, fala a si mesmo e se isola de Deus e das demais pessoas.

Em contrapartida, o publicano coloca-se a distância (supomos que do Santo dos Santos, lugar da presença de Deus), pois se sabe distante do Senhor por sua vida pecadora. Tem os olhos baixos, sinal de arrependimento e, talvez, de vergonha por sua condição de pecador. Demais, como sinal de dor e de culpa, bate no peito, como a fazer brotar do mais profundo de seu coração uma súplica de perdão: “Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!”. Por conseguinte, o que publicano pede é o restabelecimento de sua relação com Deus mediante o perdão ou a expiação de seus pecados. Por isso, F. Bovon propõe traduzir assim: “Ó Deus, reconcilia-te comigo!”. Em resumo, reconhece-se pecador e pede sinceramente perdão a Deus por isso.

A narrativa termina com a avaliação de Jesus, que está em contraposição com a avaliação social espontânea, e também a que o fariseus fazia de si mesmo. De fato, o publicano desceu em paz com Deus, declarado justo por Deus. O fariseu não. O relato conclui-se com a frase repetida: “Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido”. É clara a mensagem que une o começo e o final: quem se considera justo a seus próprios olhos e despreza os demais, não é justificado por Deus, será humilhado. Aquele que se considera e se reconhece pecador, e se humilha por isso, é justificado e exaltado por Deus.

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

Todos nós buscamos a aprovação do que fazemos, de como vivemos, seja diante de nós mesmos, seja diante dos outros, seja diante de Deus. Procuramos ser justificados, isto é, declarados justos/corretos, que reconheçam que fazemos bem as coisas e que caminhamos pelo caminho do bem. E há três olhares que nos aprovam ou reprovam: o nosso, o dos outros e o de Deus. O que realmente deve importar-nos é o olhar de Deus que nos justifica, declara-nos justos. Porque justo é aquele que agrada a Deus, que está no caminho da salvação e da santidade.

Então vemos que o fariseu da parábola, antes de mais nada, justifica a si mesmo. E ao agir assim, engana-se a si mesmo, engana aos demais e, o que é pior, não agrada a Deus, não entra pelo caminho da salvação. Esta autojustificação do fariseu fica patente em sua oração, centrada na primeira pessoa do singular: eu jejuo, eu pago o dízimo, eu não sou como os demais homens, que são pecadores…

Por outro lado, o publicano reconhece seu pecado e pede a Deus a graça de ser justificado por ele. Espera a justificação como dom gratuito da misericórdia de Deus, que o devolverá ao caminho da salvação. E por esta atitude humilde e confiante, voltou para casa em paz com Deus. Acreditou no amor de Deus, ou seja, foi justificado por sua fé, tornou-se agradável a Deus por ter acreditado em sua misericórdia e pedido perdão. Porque a fé é, em primeiro lugar, a confiança no amor de Deus, em seu poder salvador. Por isso, Jesus repete no evangelho aos que confiam em sua Palavra e em seu poder: sua fé salvou você.

A este respeito, disse o Papa Francisco na audiência de 1º de junho de 2016: “Jesus conclui a parábola com uma sentença: ‘Digo-vos: ele — ou seja, o publicano — ao contrário do outro, voltou para casa justificado. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado (v. 14). Qual deles é o corrupto? O fariseu. Ele é precisamente o ícone do corrupto que faz de conta que reza, mas só consegue pavonear-se diante de um espelho. É um corrupto e finge que reza. Assim, na vida quem se considera justo e julga o próximo desprezando-o é um corrupto, um hipócrita. A soberba compromete todas as boas ações, esvazia a oração, afasta de Deus e do próximo. Se Deus prefere a humildade não é para nos aviltar: a humildade é sobretudo uma condição necessária para sermos elevados por ele, de modo a experimentarmos a misericórdia que preenche os nossos vazios. Se a prece do soberbo não alcança a Coração de Deus, a humildade do miserável abre-o de par em par. Deus tem uma fragilidade: a debilidade pelos humildes. Diante de um coração humilde, Deus abre totalmente o seu Coração”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Quando rezo, apresento a realidade de meu coração diante do olhar de Deus?

2. Como me julgo a i mesmo pelo que faço ou pelo meu modo de vida?

3. Costumo julgar e condenar, desprezando os outros que não vivem como eu?

4. Como me sinto diante do olhar do Senhor?

5. Na oração, apresento ao Senhor minhas fraquezas para que tenha misericórdia de mim?

 

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Jesus, por teu amor.

Ensina-me uma e outra vez a acreditar nele.

Que busque sempre o gratuito e não condene.

Toda vez que eu olhar para mim mesmo,

que eu reaja para olhar para ti.

Que não procure tirar partido dos demais,

nem me julgue superior.

Impele-me para que, com humildade,

abra-me ao teu olhar que me abraça

com tudo o que sou, com tudo o que tenho.

Amém.

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me fazer um gesto que me faça sair de mim mesmo, ocupando-me com alguém, concretamente.

 

“Não te deites jamais sem ter feito previamente um exame de consciência de como passaste o dia. Volta ao Senhor todos os teus pensamentos e consagra-lhe tua pessoa e a de todos os cristãos”.

São Pio de Pietrelcina


Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

 

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

top