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“Ele julga a favor dos que são explorados e dá comida aos que têm fome. O Senhor Deus põe em liberdade os que estão presos”.

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, unge-me neste encontro com a Palavra.

Espírito Santo, faze-me testemunha do poder da Palavra.

Espírito Santo, instrui-me através da Palavra

Espírito Santo, leva-me a viver e a anunciar a Palavra junto com meus irmãos.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 16.19-31

A parábola do rico e de Lázaro

19Jesus continuou:

— Havia um homem rico que vestia roupas muito caras e todos os dias dava uma grande festa. 20Havia também um homem pobre, chamado Lázaro, que tinha o corpo coberto de feridas, e que costumavam largar perto da casa do rico. 21Lázaro ficava ali, procurando matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do homem rico. E até os cachorros vinham lamber as suas feridas. 22O pobre morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão, na festa do céu. O rico também morreu e foi sepultado. 23Ele sofria muito no mundo dos mortos. Quando olhou, viu lá longe Abraão e Lázaro ao lado dele. 24Então gritou: “Pai Abraão, tenha pena de mim! Mande que Lázaro molhe o dedo na água e venha refrescar a minha língua porque estou sofrendo muito neste fogo!”

25 — Mas Abraão respondeu: “Meu filho, lembre que você recebeu na sua vida todas as coisas boas, porém Lázaro só recebeu o que era mau. E agora ele está feliz aqui, enquanto você está sofrendo. 26Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que os que querem atravessar daqui até vocês não podem, como também os daí não podem passar para cá.”

27 — O rico disse: “Nesse caso, Pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai 28porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar de sofrimento.”

29 — Mas Abraão respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!”

30 — “Só isso não basta, Pai Abraão!”, respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados.”

31 — Mas Abraão respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.”

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

1. Quais são as duas personagens da parábola e como cada uma delas é descrita?

2. O que acontece a ambas? As diferenças sociais na terra se mantêm junto de Abraão?

3. O que o homem rico pede a Abraão e o que este lhe responde?

4. O que pede, em seguida, o homem rico a Abraão e o que este lhe responde?

5. O que é necessário para a conversão, segundo a parábola?

 

Algumas pistas para compreender o texto:

*Mons. Damian Nannini (Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.)

A parábola do domingo passado era dirigida aos discípulos; esta, por outro lado, direciona-se aos fariseus. A parábola divide-se em duas partes. Na primeira (16.19-22), contrapõem-se a situação e o estilo de vida dos dois homens: um rico – anônimo –, que banqueteava diariamente (daí o título que lhe foi dado de Epulão, que, em latim, significa “aquele que dá banquetes”) e que se vestia ostentosamente; e um pobre, de nome Lázaro [que significa “Deus ajudou”], coberto de feridas, e que estava largado à porta da casa do rico, e que não recebia sequer as migalhas do banquete. O rico estaria rodeado de gente nos banquetes, ao passo que, de Lázaro, só se aproximam os cachorrinhos para lamber-lhe as feridas.

Tão diversos em sua forma de viver, a morte surpreende-os a ambos, igualando-os diante do destino comum de todos os mortais. Contudo, acontece que, depois da morte, o juízo de Deus volta a diferençá-los: o pobre é levado pelos anjos para junto de Abraão, “figura com a que os judeus representavam a companhia dos santos, gozando de sua intimidade e de seu afeto. Por sua vez, o rico é, simplesmente, sepultado, “caiu nos tormentos do mundo dos mortos, representado por um poço de fogo. A parábola cria uma incógnita para os leitores, porque não se disse que Lázaro e o rico tenham sido merecedores desta sorte diferente por ter sido um melhor ou pior do que o outro” (L. H. Rivas).

Começa, então a segunda parte (16.23-31), onde também se contrapõe a situação de ambos depois da morte. Agora o rico sofre tormentos, enquanto Lázaro descansa junto de Abraão. É evidente a inversão das situações.

Agora que está passando mal, o rico lembra-se da existência do pobre Lázaro, e aquele é quem suspira por uma migalha, ou mais precisamente, por umas gotas d’água. O rico implora piedade para com ele, mas já é demasiado tarde, pois não é possível mudar o destino depois da morte. Abraão recorda-lhe que ele havia recebido seus bens durante a vida. E de quem os recebeu? Ao que parece, segundo a clássica mentalidade bíblica, podemos dizer que havia recebido os bens da parte de Deus. Por conseguinte, o pecado não está em ter tido muitos bens, que são dons de Deus, mas em havê-los gozado de modo egoísta e esnobe, sem preocupar-se com os demais, especialmente com o pobre-próximo Lázaro. Aqui se dá a razão do tratamento diferente que o rico e o pobre Lázaro recebem depois da morte.

Dando por perdida sua causa pessoal, o rico preocupa-se com seus irmãos que vivem em situação similar à sua, e não quer que acabem igual a ele. Volta a pedir a Abraão que use Lázaro como emissário, mas agora para prevenir seus irmãos. A resposta de Abraão é uma negativa indireta: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!”. O rico persiste em que se se lhes aparecesse um morto, converter-se-iam (verbo metanoeō). A resposta de Abraão é lapidar: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.”

Para além da ficção, a parábola quer deixar esta importante mensagem para os que estamos “vivos”: é preciso ler as Escrituras, é necessário escutar a voz de Deus para que se nos mude o coração e aprendamos a partilhar o que temos, o que nos foi dado como a administradores nesta vida.

 

O que o Senhor me diz no texto?

A parábola de hoje nos confronta com uma mensagem clara sobre a certeza do juízo de Deus no final de nossa vida, e a respeito de sua maneira de retribuir a cada um segundo o que tiver recebido e de acordo com suas obras. De fato, a intenção principal da parábola é a de advertir às pessoas que vivem como o rico da parábola. É um chamado à conversão mediante a escuta da Palavra de Deus, antes que seja demasiado tarde, pois, se não se converterem, terminarão muito mal.

Assim também a interpreta Bento XVI em sua encíclica “Deus é amor” nº 15: “O rico avarento (cf. Lc 16.19-31) implora, do lugar do suplício, que os seus irmãos sejam informados sobre o que acontece a quem levianamente ignorou o pobre que passava necessidade. Jesus recolhe, por assim dizer, aquele grito de socorro e repete-o para nos acautelar e reconduzir ao bom caminho”.

Além do chamado à conversão, a parábola “é, ao mesmo tempo, uma exortação ao amor aos pobres e à responsabilidade que devemos ter em relação a eles, tanto em grande escala, na sociedade mundial, quanto no âmbito mais reduzido de nossa vida diária” (J. Ratzinger). Como observamos, logo depois da morte, quando está sofrendo, o rico “vê” o pobre Lázaro. Portanto, ao rico faltaram-lhe compaixão e caridade porque carecia, antes de mais nada, de um coração que enxerga. Fica evidente que um dos piores perigos da riqueza é que ela torna a pessoa cega para Deus e seus mandamentos, e para o próximo necessitado. Hoje diríamos insensibilidade de coração. Bem podemos considerar como atitude positiva e diametralmente oposta à do rico epulão a do bom samaritano, que “viu e ficou com muita pena” (Lc 10.33).

A este respeito, dizia o Papa Francisco em sua homilia do dia 25 de setembro de 2016: “E há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: nele, carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao contrário, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição: como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes ou lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.

“Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, tem pela frente horizontes, e não um muro que o impede de ver; vê longe porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor pede-nos isto: face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: ‘Ajudar-te-ei amanhã, hoje não tenho tempo, ajudar-te-ei amanhã’. E isto é um pecado. O tempo gasto a socorrer os outros é tempo dado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

1. Leio ou escuto as Escrituras como uma palavra de Deus para mim?

2. Já tive a graça de alguma conversão ao escutar a Palavra de Deus?

3. Consigo ver e dar nome aos rostos da pobreza que me rodeiam?

4. Busco partilhar com os necessitados o pouco ou o muito que Deus me deu?

5. Como assumo e vivo as situações de pobreza pessoal que me cabe viver?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Jesus, por me convidares uma e outra vez à conversão.

Que sempre esteja aberto à tua Palavra.

Que não faça nem alarde da aparência nem me guie pelo ter.

Afasta-me das queixas.

Concede-me um coração movido pela caridade.

Que não passe longe dos meus irmãos necessitados.

Que escute neles o clamor, que neles eu te descubra.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

“Jesus, dá-me um coração que se apaixone pelos necessitados”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Durante esta semana, proponho-me ficar atento às pobrezas de meus irmãos mais próximos. Hei de aproximar-me deles com doçura.

 

“Lembra-te de que, quando partires deste mundo, nada podes levar do que tiveres recebido; somente o que tiveres dado”.

São Francisco de Assis

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