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“Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o Senhor. Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro.”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, ensina-me a dar gratuitamente.

Espírito Santo, que eu busque sempre o que nunca acaba.

Espírito Santo, que com Maria, receba e viva a Palavra.

Espírito Santo, dá-me a coragem para anunciar a Boa Nova.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 12.49-53

Divisão por causa de Jesus

Mateus 10.34-36

49Jesus continuou:

— Eu vim para pôr fogo na terra e como eu gostaria que ele já estivesse aceso! 50Tenho de receber um batismo e como estou aflito até que isso aconteça! 51Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. 52Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. 53Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos, contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas, contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras, contra as sogras.

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

1. O que simboliza o fogo que Jesus veio trazer à terra?

2. A que se refere com a provação dolorosa que deve suportar?

3. A que paz Jesus se refere aqui?

4. No discurso de Jesus, por que motivo os membros de uma família podem chegar a confrontar-se?

 

Algumas pistas para compreender o texto:

*Mons. Damian Nannini (Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.)

Jesus tem clara consciência de ser enviado pelo Pai, de ter uma missão a cumprir (“Eu vim”). Ele descreve esta missão com as metáforas do fogo e do batismo. A imagem do fogo, dada sua ação purificadora, no Novo Testamento remete ao juízo de Deus; mas também se fala do fogo da Boa Nova e do Espírito Santo. Portanto, a frase de Jesus significa que veio para inundar o mundo com o fogo do Espírito Santo e, levando-se em conta a dimensão purificadora do fogo, veio para purificar, e deseja ardentemente que tudo já esteja purificado.

Em seguida, Jesus diz que deve ser submerso ou batizado em uma provação dolorosa, em nítida referência à sua paixão, morte e ressurreição. No entanto, a glorificação de Jesus, por parte de Deus, constituiu um julgamento divino que confirmou sua missão. Portanto, Jesus anseia vivamente por sua paixão e glorificação porque somente então estará em condições de derramar o Espírito Santo sobre as pessoas. Contudo, já no presente, a palavra e a ação de Jesus entre as pessoas antecipam o juízo de Deus, porquanto as colocam em situação de optar. Diante desta manifestação definitiva de Deus em Cristo, não pode haver nem indiferença nem tibieza. Mister se faz escolher ou por ele ou contra ele.

Neste contexto, Jesus diz que não veio trazer a paz sobre a terra. Recordemos, porém, que já no Antigo Testamento, os profetas distinguem entre a verdadeira e a falsa paz (cf. Ez 13.10). Ou seja, não é qualquer paz que é a paz de Deus. Jesus não veio para anunciar uma falsa paz, que se apoia no engano e no desejo de ficar bem com todos. Veio para anunciar a Verdade sobre Deus e sobre o ser humano, o que exige uma opção que implica muitas lutas e sofrimentos, mas que nos permite alcançar a verdadeira paz.

Por fim, o texto de hoje se refere às divisões que se verificarão no seio de uma mesma família por causa de Jesus. Não se significa, absolutamente, que Jesus instigue a divisão ou a ruptura das famílias. Todavia, a opção por ele deve ser tão radical, que se antepõe até mesmo aos vínculos familiares; por isso, como consequência desta opção, eles podem chegar a romper-se. Trata-se de uma consequência não buscada ou desejada, mas, às vezes, inevitável. Este seria o sentido do fogo como juízo, na medida em que traz à luz a opção de cada pessoa diante de Jesus.

 

O que o Senhor me diz no texto?

 Nos dois domingos anteriores, os evangelhos faziam referência ao julgamento de Deus no final da vida de cada pessoa. O evangelho de hoje nos esclarece que o juízo de Deus já está em a ação entre as pessoas, porque Jesus tornou presente o juízo de Deus na história. No entanto, este juízo é consequência do anúncio do Evangelho, que nos convida a decidir-nos e a comprometer-nos já, agora.

Os que o aceitam e creem nele, serão purificados pelo fogo, receberão as primícias do Espírito Santo e o dom da verdadeira paz.

Os que o rechaçam, correm o sério risco de viver fechados em si mesmos e escravos de seus pecados. E para silenciar os apelos da consciência, buscarão convencer a si mesmos de que tudo está bem, de que tudo é relativo, de que não é para tanto, de que não é preciso exagerar. Esta é a falsa paz pregada pelos falsos profetas. Contudo, cedo ou tarde, a verdade vai continuar incomodando. Isto pode gerar como mecanismo de defesa a “projeção”, que “constitui um modo muito primitivo de libertar-se da própria culpa, jogando-a sobre os outros” (A. Cencini). Assim, tais pessoas podem tornar-se bastante críticas e intolerantes para com os outros, de modo especial para com os que levam a sério o evangelho e procuram ser bons cristãos. Surgem, então, as divisões na comunidade.

Em resumo: é bom que a Palavra de Deus nos “queime” um pouco, nos inquiete e questione. Jesus levou muito a sério sua missão e, por isso, desejava ardentemente cumpri-la, posto que implicasse a passagem pela cruz. Os discípulos de Jesus devemos aprender a não brincar com a missão, a sermos fiéis e criativos com a Palavra encomendada; a vencermos a tentação de diluir o evangelho a fim de sermos aceitos. A este respeito, dizia o Papa Francisco no Angelus do dia 14 de agosto de 2016: “No cumprimento da sua missão no mundo, a Igreja — ou seja, todos nós que somos a Igreja — tem necessidade da ajuda do Espírito Santo para não se deter nem pelo medo nem pelo cálculo, para não se acostumar a caminhar dentro de limites seguros. Estas duas atitudes levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que nunca corre riscos. Ao contrário, a intrepidez apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo ajuda-nos a superar os muros e as barreiras, torna-nos criativos e estimula-nos a pôr-nos em movimento para percorrer inclusive caminhos inexplorados ou desalentadores, oferecendo esperança a quantos encontramos. Mediante este fogo do Espírito Santo somos chamados a tornar-nos cada vez mais comunidades de pessoas orientadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas com um coração dilatado e com um semblante jubiloso. Hoje mais do que nunca há necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fiéis leigos com o olhar atento do apóstolo, para se comover e para se deter diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo purificador da proximidade”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

1. Compreendo o ardente amor de Jesus que o leva a dar sua vida por nós?

2. Deixo-me questionar por este desejo ardente de Jesus de purificar-me e de inflamar-me com o fogo do Espírito Santo?

3. Já sofri críticas ou rejeições por levar a sério o evangelho? Como reagi a elas?

4. Aceito as consequências que me podem sobrevir por ser fiel a Jesus e a seu evangelho?

5. Sinto ardente desejo de comunicar a verdade do amor de Deus a todas as pessoas?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Jesus, por partilhares comigo tua missão.

Obrigado porque também hoje o Pai me envia.

Que o fogo do Espírito queime em mim toda comodidade

e todo cálculo possível.

E que inflame toda criatividade e me leve a anunciar-te.

Sei que a cruz é necessária: que ela não me detenha

no momento de arriscar-me por ti e por teu projeto.

Quero fazer isso com meus irmãos, para que, juntos,

estejamos mais próximos dos demais.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

“Jesus, enviado do Pai, inflama-me para que eu cumpra a missão que sempre sonhaste para mim”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Durante esta semana, comprometo-me a rezar e a convidar a rezar pela missão que Jesus me confia.

 

“Se formos o que devemos ser, atearemos fogo ao mundo inteiro”.

Santa Catarina de Sena

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