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“O Senhor Deus é a minha luz e a minha salvação”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

Espírito Santo, concede-me o amor à Verdade

Espírito Santo, abre meu coração ao dom que é tua Palavra.

Espírito Santo, ajuda-me a sair de meus esquemas.

Espírito Santo, surpreende-me com o que Jesus quiser conceder-me neste encontro.

Amém.

 

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 9.28-36

Jesus, Moisés e Elias

Mateus 17.1-13; Marcos 9.2-13

 

28Mais ou menos uma semana depois de ter dito essas coisas, Jesus levou Pedro, João e Tiago e subiu o monte para orar. 29Enquanto orava, o seu rosto mudou de aparência, e a sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30De repente, dois homens apareceram ali e começaram a falar com ele. Eram Moisés e Elias, 31que estavam cercados por um brilho celestial. Eles falavam com Jesus a respeito da morte que, de acordo com a vontade de Deus, ele ia sofrer em Jerusalém. 32Pedro e os seus companheiros estavam dormindo profundamente, mas acordaram e viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33Quando esses dois homens estavam se afastando de Jesus, Pedro disse:

— Mestre, como é bom estarmos aqui! Vamos armar três barracas: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias.

Pedro não sabia o que estava dizendo. 34Ele ainda estava falando, quando apareceu uma nuvem e os cobriu. Os discípulos ficaram com medo quando a nuvem desceu sobre eles. 35E da nuvem veio uma voz, que disse:

— Este é o meu Filho, o meu escolhido. Escutem o que ele diz!

36Quando a voz parou, eles viram que Jesus estava sozinho. Os discípulos ficaram calados e naquela ocasião não disseram nada a ninguém sobre o que tinham visto.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

 

* Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. O que Jesus ensinou oito dias antes desta cena?

2. Quais discípulos Jesus leva consigo e o que vão fazer na montanha?

3. Que acontece enquanto Jesus reza?

4. Que personagens bíblicas aparecem e o que conversam com Jesus?

5. Que acontece com Pedro e seus companheiros? O que Pedro pede?

6. O que acontece enquanto Pedro fala? O que diz a voz celestial?

7. Em que outro momento da vida de Jesus se ouviu também uma voz do céu (cf. Lc 3.22)?

Nos dois momentos, a voz diz a mesma coisa?

 

 

* Algumas pistas para compreender o texto:

 

Mons. Damian Nannini1

 

 

Oito dias antes do relato da transfiguração, Jesus fez seu primeiro anúncio da paixão e apresentou a exigência de renúncia total para segui-lo. Fazia-se necessário que ao menos alguns de seus discípulos (os considerados como colunas em Gl 2.9) tivessem uma experiência que dissipasse o temor e a angústia gerados por tal anúncio e, para isso, concede-lhes uma visão antecipada da glória prometida depois de padecer.

Se retrocedermos um pouco mais, encontramos também as perguntas que Jesus dirige a seus discípulos sobre sua própria identidade: “Quem o povo diz que eu sou?”; “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9.18,20). O relato da transfiguração é também uma resposta a estas perguntas: é a própria resposta do Pai sobre a identidade de Jesus.

A referência a Jesus que orava é exclusiva de Lucas. Nos momentos decisivos de sua vida, Jesus permanece unido a seu Pai pela oração. São momentos nos quais se manifesta sua identidade profunda de Filho. Para Lucas, entretanto, a intenção primeira de Jesus não é a de manifestar-se, mas de orar (“subiu o monte para orar”). A Transfiguração é, antes, fruto ou consequência de sua íntima relação com o Pai (“enquanto orava”). No marco da cristologia de Lucas, a Transfiguração é principalmente “uma janela aberta para a relação do Pai com o Filho, relação que a voz vai explicar” (F. Bovon).

Na cena, junto a Jesus, aparecem Moisés e Elias, “que estavam cercados por um brilho celestial”, acrescenta Lucas. Isto é interessante porque, além de representar a Lei e os Profetas, são dois homens de oração que subiram ao monte para encontrar-se face a face com Deus, para ver seu rosto (cf. Êx 33.8; 1Rs 19.17). De certo modo, Lucas diz-nos que alcançaram o que com tanto anseio buscaram em suas vidas: a glória de Deus.

Também é restrita a Lucas a alusão ao tema da conversa entre Jesus, Moisés e Elias: seu êxodo, ou seja, sua saída, sua morte, sua ascensão ou páscoa que se cumprirá em Jerusalém. Deste modo, revelam-nos, ao mesmo tempo, o fim e o meio; a meta e o caminho. Pela cruz à luz, à glória.

Pedro, Tiago e João são espectadores privilegiados da cena, que lhes causa tanto impacto que vencem o sono e querem que se prolongue no tempo. Este é o sentido da exclamação de Pedro: “Mestre, como é bom estarmos aqui!”. Pedro sente-se “preso” por esta visão e quer fazer três tendas para permanecer ali. Segundo santo Agostinho, Pedro desfrutou a alegria da contemplação e já não quer voltar às preocupações e fadigas da vida cotidiana. Por isso quer, de certa maneira, “eternizar” este momento.

Enquanto Pedro dizia isto, uma nuvem luminosa cobre-os com sua sombra. A nuvem é sinal da presença invisível de Deus e de sua glória. No livro do Êxodo, a nuvem cobre a montanha onde habita a glória do Senhor (cf. Êx 24.15-18). Deixar-se cobrir pela sombra da nuvem significa entrar no mundo de Deus.

O medo que os três apóstolos sentem expressa a reação humana diante do fenômeno sobrenatural.

Da nuvem sai a voz, e não há dúvidas de que se trata da voz do Pai. Como antes, no batismo (Lc 3.22), a voz divina volta a manifestar-se, mas agora se dirige aos discípulos e lhes revela a identidade profunda de Jesus: o Filho escolhido; e ordena-lhes escutá-lo, ou seja, obedecer-lhe, segui-lo.

No final, resta apenas Jesus; desapareceram as outras vozes: de Deus, de Moisés e de Elias, da Lei e dos Profetas; agora temos o Filho, a Palavra pessoal do Pai.

 

 

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

No evangelho de hoje, Jesus convida três de seus discípulos a subir ao monte elevado “para orar”; em nosso caminho quaresmal, portanto, somos convidados a meditar sobre a oração como meio necessário, como janela aberta para essa realidade definitiva por que ansiamos: nossa transformação em Deus.

Em nossa oração, somos chamados a reviver a experiência da transfiguração de Jesus que os discípulos viveram; a encontrar-nos com Cristo glorioso e resplandecente, que encherá de luz nossa inteligência e de calor nosso coração a ponto de, como Pedro, querermos permanecer ali.

A oração do cristão tem como ponto de partida necessário a escuta da Palavra de Deus, de Jesus. Este é o mandato da voz do Pai que ressoou no monte da transfiguração: escutá-lo, obedecer-lhe, segui-lo.

Por sua vez, esta experiência de Jesus transfigurado tem para nós um valor pedagógico excepcional, tal como teve para os três discípulos. Como bem observa o Papa Francisco: “Assim, este acontecimento da Transfiguração permite que os discípulos enfrentem a paixão de Jesus de maneira positiva, sem ser arrebatados. Viram-no como Ele será depois da paixão, glorioso. É assim que Jesus os prepara para a provação. A Transfiguração ajuda os discípulos, e também nós, a entender que a paixão de Cristo é um mistério de

padecimento, mas é sobretudo um dom de amor, de amor infinito por parte de Jesus” (Angelus de 25 de fevereiro de 2018).

Assim como no domingo passado nos foi apresentada a necessidade da luta contra a tentação, a exigência da renúncia ao que possa afastar-nos do caminho de Deus, e fomos convidados a assumir a cruz como dimensão fundamental da existência cristã, hoje Jesus quer fazer-nos participantes de sua glória, de sua Transfiguração, de sua felicidade e alegria, frutos de sua relação com o Pai. Por conseguinte, é-nos apresentada a dimensão jubilosa, triunfal da existência cristã, que é uma dimensão tão essencial como a cruz. Mais ainda, é a que dá sentido a ela. Portanto, em nosso caminho quaresmal, o Senhor transfigurado e a Voz do Pai nos confirmam e alentam-nos a continuar até o fim.

 

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Que lugar ocupa a oração em minha vida?

2. Já tive alguma experiência fortemente consoladora da presença luminosa do Senhor em minha oração?

3. Já experimentei alguma mudança ou transformação na vida como fruto da oração perseverante?

4. Quanto escuto a Deus e quanto lhe falo em minha oração?

5. Já consegui compreender que a cruz é o único caminho para a glória?

 

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por me levares também à montanha.

Obrigado por te transfigurares diante de mim.

Que eu não me contente nem queira eternizar meus momentos de glória.

Liberta-me dos medos que me reprimem.

Dá-me a coragem para abraçar a cruz e abre-me os ouvidos para escutar a Voz do Pai.

Quero continuar até o final neste caminho que empreendemos juntos.

Que com a ajuda de tua Palavra e o serviço aos meus irmãos

possas transfigurar a mim também.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, que com tua ajuda eu possa escutar a Voz do Pai e viver transfigurado”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me ter cada dia um momento de oração com a Palavra.

 

 

“Os homens novos não têm medo do sofrimento, abraçam-se à cruz não com conformismo, mas como Maria, que, a partir de sua pobreza e de seu sofrimento, diz: ‘Derruba dos seus tronos reis poderosos e põe os humildes em altas posições. Dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias’”.

São Oscar Romero

One Response to ““O Senhor Deus é a minha luz e a minha salvação””

  1. Moacir Boza disse:

    Lindo e muito esclarecedora toda a explicação sobre a oração, a transfiguração e a manifestação do Pai e do Filho.

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