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“Quando te chamei, tu me respondeste e, com o teu poder, aumentaste as minhas forças.”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, Dom gratuito, renova-me.

Espírito Santo, Perfume delicado, unge-me.

Espírito Santo, Conselho Garantido, reconforta-me.

Espírito Santo, Força Viva, impele-me a viver o Evangelho.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 11.1-13

Jesus ensina a orar

Mateus 6.5-15; 7.7-11

1Um dia Jesus estava orando num certo lugar. Quando acabou de orar, um dos seus discípulos pediu:

— Senhor, nos ensine a orar, como João ensinou os discípulos dele.

2Jesus respondeu:

— Quando vocês orarem, digam:

“Pai, que todos reconheçam

que o teu nome é santo.

Venha o teu Reino.

3Dá-nos cada dia o alimento

que precisamos.

4Perdoa os nossos pecados,

pois nós também perdoamos

todos os que nos ofendem.

E não deixes que sejamos tentados.”

5Então Jesus disse aos seus discípulos:

— Imaginem que um de vocês vá à casa de um amigo, à meia-noite, e lhe diga: “Amigo, me empreste três pães. 6É que um amigo meu acaba de chegar de viagem, e eu não tenho nada para lhe oferecer.”

7— E imaginem que o amigo responda lá de dentro: “Não me amole! A porta já está trancada, e eu e os meus filhos estamos deitados. Não posso me levantar para lhe dar os pães.”

8Jesus disse:

— Eu afirmo a vocês que pode ser que ele não se levante porque é amigo dele, mas certamente se levantará por causa da insistência dele e lhe dará tudo o que ele precisar. 9Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. 10Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate. 11Por acaso algum de vocês será capaz de dar uma cobra ao seu filho, quando ele pede um peixe? 12Ou, se o filho pedir um ovo, vai lhe dar um escorpião? 13Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu, dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

1. O que Jesus esteve fazendo e o que os discípulos pedem que ele faça?

2. O que pedimos a Deus na oração que Jesus lhes ensinou?

3. O que Jesus quer ensinar aos discípulos com a parábola do amigo inoportuno?

4. O que Jesus ensina sobre a oração de petição?

5. Que mensagem nos dá com a parábola do filho que pede comida a seu pai?

 

Algumas pistas para compreender o texto:

Mons. Damian Nannini (Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.)

 

No caminho para Jerusalém, que é um caminho discipular onde aprendemos a ser cristãos, não podia faltar um ensinamento sobre a oração. E Jesus ensina dando o exemplo, já que ele próprio é apresentado como modelo de orante, visto que o texto de hoje começa dizendo que “estava orando”. E não se trata de um caso isolado, pois os evangelhos nos apresentam com frequência Jesus orando, retirando-se para a solidão a fim de rezar (Lc 5.16); às vezes, passa até mesmo a noite inteira em oração, como quando precisa tomar a importante decisão de escolher os Doze Apóstolos (cf. Lc 6.12-13). A oração de Jesus é lugar privilegiado para a revelação de sua identidade, como no batismo (3.21) e na transfiguração (9.28-29). Jesus ora, inclusive, antes de enfrentar a paixão no Getsêmani (Lc 22.41-42) e morre orando ao Pai (Lc 23.46).

Justamente a atitude orante de Jesus é que desperta em seus discípulos o desejo de aprender a orar: “Senhor, nos ensine a orar” (Lc 11.1). A este desejo dos discípulos, Jesus responde ensinando-lhes o Pai-Nosso.

Quanto ao conteúdo desta oração, podemos observar, em primeiro lugar, que Jesus quer que rezemos a Deus chamando-o de Pai, como ele mesmo o fizera em sua oração.

Logo, seguem-se duas petições que se referem diretamente ao Pai como súplicas de anseio por algo que lhe é próprio: a santidade de seu nome e a vinda de seu reino. As outras três relacionam-se com as necessidades dos filhos: o pão cotidiano, o perdão das ofensas e o pedido de não sucumbir à tenção.

Orar, para Jesus, é pedir sempre. E se meu coração se converte em louvor ou ação de graças será porque recebi aquilo que esperava encontrar.

Depois do conteúdo fundamental da oração do discípulo, que é o Pai-Nosso, Jesus completa a formação na oração com os exemplos acerca do modo de orar, ou mais precisamente, de pedir a Deus. Em primeiro lugar, coloca o exemplo de um amigo inoportuno, desorientado, diríamos nós, mas muito persistente e que, graças a esta insistência, termina por conseguir o que pede. Portanto, assim deve ser nossa oração, como a petição de um amigo “molesto”. Jesus mesmo extrai uma longa exortação do exemplo: “Por isso eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate” (Lc 11.9-10).

O segundo exemplo baseia-se na relação entre um filho que pede algo a um pai que nunca lhe responderá dando algo ruim. Se os pais humanos fazem isto, quanto mais Deus Pai dará o Espírito Santo aos que o pedirem. Este exemplo é uma exortação da oração confiante que ao mesmo tempo orienta o conteúdo das petições ao Sumo Bem que devemos pedir sempre a Deus Pai: o Espírito Santo.

 

O que o Senhor me diz no texto?

Hoje aprendemos do próprio Jesus o essencial da oração dos cristãos: falar a Deus chamando-o de Pai e pedindo-lhe com confiança e com insistência. Trata-se de deixar que o Senhor nos ensine a orar. Façamos nossa a petição dos apóstolos: “Senhor, nos ensine a orar”, em resposta à qual Jesus explica aos seus com que palavras e com que sentimentos devem dirigir-se a Deus. E a oração consiste fundamentalmente em dialogar com Deus, o que implica este duplo movimento de escutar e de falar. A primazia cabe ao escutar, mas não devemos esquecer o falar, o dizer a Deus o que pensamos e desejamos. Antes de mais nada, somos filhos pequenos, que pedimos algo ao nosso bom Deus e Pai. A atitude filial é fundamental para a oração cristã. É o clima afetivo que a envolve.

A este respeito, dizia o Papa Francisco no Angelus do dia 24 de julho de 2016: “«Quando vocês orarem, digam: ‘Pai…’» (v. 2). Esta palavra é o ‘segredo’ da oração de Jesus, é a chave que ele mesmo nos oferece a fim de podermos entrar também nós na relação de diálogo confidencial com o Pai que acompanhou e amparou toda a sua vida”.

Ao clima filial, devemos acrescentar o clima comunitário, de família, já que ensina a pedir a Deus para “nós”, não para si mesmo apenas. As petições não são individuais, mas comunitárias. No Pai-Nosso está o “Tu” de Deus e o “nós” dos irmãos, mas não encontramos o eu individualista.

Também temos no Pai-Nosso um ensinamento sobre o conteúdo fundamental da oração cristã. Já Tertuliano, o exegeta mais antigo do Pai-Nosso, dizia que era como “uma síntese de todo o evangelho”. Tanto é assim que o Papa Francisco, em sua encíclica Lumen Fidei, considera o Pai-Nosso como um dos elementos essenciais na transmissão fiel da memória da Igreja, pois “nela, o cristão aprende a partilhar a própria experiência espiritual de Cristo e começa a ver com os olhos dele. A partir daquele que é Luz da Luz, do Filho Unigénito do Pai, também nós conhecemos a Deus e podemos inflamar outros no desejo de se aproximarem dele” (nº 46).

Também se deve notar que, no evangelho de hoje, para ensinar-nos o modo de orar, Jesus escolhe dois exemplos ou parábolas de forte conotação afetiva: a relação de amizade e a relação entre pai e filho. Deste modo, o Pai é identificado com um amigo fiel e com um pai bondoso. Para ressaltar a imagem ou rosto de Deus é que Jesus nos revela neste evangelho: Deus é, antes de mais nada, Pai, um pai mais bondoso do que o mais bondoso dos pais humanos. E também Deus é um amigo fiel, que sabe ceder diante da insistente petição daquele que lhe pede. A fé nestes “rostos de Deus” é fundamental para despertar a confiança insistente na oração.

Por fim, peçamos, peçamos, peçamos ao Senhor como filhos insistentes. Peçamos que nos ensine a rezar ao Pai. Peçamos que ore em nós ao Pai. Peçamos que nos faça participar de sua oração ao Pai. Mas, principalmente, peçamos o Espírito Santo, que é o que nos dará tudo isto e muito mais.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Que imagem tenho de Deus quando rezo?

2. Sinto-o realmente como meu Pai e a ele me dirijo com a confiança de filho?

3. Quando rezo, peço somente para mim, ou me sinto parte da família da Igreja e levo em conta as necessidades dos demais irmãos?

4. Peço primeiro o que somente Deus me pode dar: a santidade e seu Reino?

5. Minha oração de petição é confiante e perseverante?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por tua oração.

Obrigado por me ensinares a orar.

Que minha oração não seja um monólogo nem uma lista de pedidos.

Que sempre me disponha a escutar-te

e me anime a poder conversar a respeito do que há em meu coração.

Quero pedir-te que me concedas o Espírito Santo.

Somente assim acenderemos o desejo de que outras possam

sentir-se próximos e todos juntos clamarmos: Pai!

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

“Senhor, ensina-nos a orar”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Durante esta semana, ao rezar o Pai-Nosso, prestarei a atenção quando dirigir-me e clamar a Deus como “Pai”.

“O homem é um mendigo que precisa pedir tudo a Deus”.

São João Maria Vianney

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