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“A voz do Senhor é cheia de poder e majestade”.

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

 

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, vem e ilumina-me neste encontro com a Palavra.

Espírito Santo, vem e toca meu coração

para que eu possa receber o evangelho.

Espírito Santo, vem e leva-me a viver a Boa-Nova.

Amém.

TEXTO BÍBLICO: Mt 3.13-17

O batismo de Jesus

Marcos 1.9-11; Lucas 3.21-22

13Naqueles dias, Jesus foi da Galileia até o rio Jordão a fim de ser batizado por João Batista. 14Mas João tentou convencê-lo a mudar de ideia, dizendo assim:

— Eu é que preciso ser batizado por você, e você está querendo que eu o batize?

15Mas Jesus respondeu:

— Deixe que seja assim agora, pois é dessa maneira que faremos tudo o que Deus quer.

E João concordou.

16Logo que foi batizado, Jesus saiu da água. O céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre ele. 17E do céu veio uma voz, que disse:

— Este é o meu Filho querido, que me dá muita alegria!

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

ü  Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. Diante de quem Jesus se apresenta e o que lhe pede?

2. Como João Batista reage perante este pedido de Jesus?

3. O que Jesus lhe responde?

4. O que acontece quando Jesus sai das águas?

5. De quem é a “voz” e o que diz?

 

ü  Algumas pistas para compreender o texto:

Mons. Damian Nannini[1]

 

Este relato estrutura-se em duas partes: 1) Os preliminares do batismo (vv. 13-15); 2) A teofania (vv. 16-17).

A primeira parte narra a vinda de Jesus ao Jordão para ser batizado. É a primeira aparição pública de Jesus, razão por que Mateus se detém em indicar com exatidão os dados geográficos e a circunstância (3.13).

João Batista resiste em batizar Jesus (3.14-15). Na negativa de João, o verbo “convencer” está no imperfeito, denotando a insistência de João em não batizar Jesus. A razão de sua recusa remete ao que já havia anunciado sobre a superioridade daquele que devia vir e do batismo que ministraria (cf. 3.11). Jesus, porém, dá-lhe uma ordem (verbo no imperativo): “Deixe/permita que seja assim” e explicita que se trata de algo transitório e provisório: “agora”.

A resposta de Jesus contém uma expressão – “faremos tudo o que Deus quer/cumpriremos toda justiça” – que significa levar à plenitude, cumprir perfeitamente a vontade de Deus. Ou seja, ambos devem cumprir a vontade de Deus: Jesus, porque assim manifesta sua solidariedade com os homens; e João Batista, porque deve admitir que o Messias pode agir de modo diferente de como ele esperava.

Quanto à teofania, observamos que em Mateus o ato batismal apenas é mencionado mediante um verbo no particípio, e que a ênfase está colocada na saída da água. Nesta cena, existe a abertura dos céus, a descida do Espírito em forma de pomba e a voz celestial.

A abertura dos céus é algo público, tal como a voz celestial, a qual se dirige às pessoas e aos leitores ou ouvintes, ou seja, à comunidade. Vemos aparecer aqui o aspecto eclesial tão próprio de Mateus, complementando a afirmação cristológica. Assim, a cena conclui-se com uma revelação pública de Jesus como Filho de Deus, sendo a comunidade mateana a destinatária desta revelação e, por isso, quem tem também a missão de revelar a verdadeira identidade de Jesus.

A modo de resumo, vale o que diz A. Rodríguez Carmona: “O texto tem dois centros de atenção intimamente relacionados: no primeiro, Jesus professa sua determinação de cumprir em cada momento a vontade do Pai; no segundo, o Pai reconhece-o publicamente como Filho: obediência e filiação são anverso e reverso da mesma realidade”.

 

2. MEDITAÇÃO

O que o Senhor me diz no texto?

 

A festa do Batismo do Senhor encerra o Tempo do Natal e, por isso, deve ser entendida e celebrada em continuidade com a solenidade do nascimento de Jesus. Justamente no sacramento do Batismo é que se verifica o “admirável intercâmbio” celebrado no Natal: o Verbo de Deus, que ao manifestar-se na realidade de nossa carne, fez-se semelhante a nós externamente, transforma-nos interiormente. Jesus, ao entrar na água, quis lavar os pecados do mundo, e fomos feitos filhos adotivos pela água e pelo Espírito Santo.

O dia do Batismo do Senhor, com que se conclui o Tempo de Natal, recorda não somente o batismo de Jesus, mas também o batismo do cristão. Portanto, tal como sublinhamos a importância de re-viver em nós o nascimento do Senhor como parte essencial do mistério do Natal celebrado na liturgia, assim também somos convidados a re-viver nosso próprio batismo na festa do Batismo do Senhor.

Nós, ao sermos batizados, recebemos a filiação adotiva pela qual o Pai nos ama como a filhos seus em seu Filho Jesus, e se compraz em nós como se comprouve nele.

Também nós temos que descobrir neste “sentir-nos amados e aprovados pelo Pai” o princípio e fundamento de nossa vida e a fonte de nossa liberdade interior e afetiva. A este respeito, escreve H. Nouwen: “Sua verdadeira identidade é ser filho de Deus. Esta é a identidade que você deve aceitar. Uma vez que você a tiver reivindicado e se tenha instalado nela, poderá viver em um mundo que lhe dará muita alegria e também muita dor. Poderá receber elogios ou calúnias que chegarão a você como uma ocasião para que você fortaleça sua identidade fundamental, porque a identidade que o torna livre lançou sua âncora para além de todo louvor e de toda calúnia humana. Você pertence a Deus, e como filho de Deus, foi enviado ao mundo”.

A este respeito, dizia o Papa Francisco no Angelus de 8 de janeiro de 2017: “Esta festa leva-nos a redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é de pecadores — todos o somos — de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da Mãe Igreja e tornados capazes de uma fraternidade que não conhece confins nem barreiras”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Faço memória frequente do dia de meu Batismo?

2. Já experimentei que o Pai se compraz em mim como o fez com Jesus?

3. Aceito e vivo minha identidade de filho de Deus?

4. Compreendo e vivo a fraternidade que brota do batismo?

5. Animo-me a convidar outras pessoas para que sejam adotadas pelo amor do Pai?

 

3. ORAÇÃO

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por meu batismo.

Faze com que eu possa experimentar meu ser filho amado do Pai.

Que possa viver a fraternidade em e com os irmãos que me concedes.

Que eu possa viver minha identidade para além do que dirão.

Peço-te isto de todo o coração.

Amém.

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, que pela fé eu possa experimentar meu ser filho amado do Pai”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me buscar minha data de batismo e animar outros a buscar a sua.

 

“Cristo hoje é iluminado: deixemos que esta luz divina nos penetre também; Cristo é batizado: desçamos com ele à água para, em seguida, subirmos também com ele”.

Gregório Nazianzeno


Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

 

 

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