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“E estarei com eles nas horas de aflição. Eu os livrarei e farei com que sejam respeitados”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 

Espírito Santo, concede-me o amor à Verdade

Espírito Santo, abre meu coração ao dom que é tua Palavra.

Espírito Santo, ajuda-me a sair de meus esquemas.

Espírito Santo, surpreende-me com o que Jesus quiser conceder-me neste encontro.

Amém.

 

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 4.1-13

A tentação de Jesus

Mateus 4.1-11; Marcos 1.12-13

 

1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto. 2Ali ele foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias. Nesse tempo todo ele não comeu nada e depois sentiu fome. 3Então o Diabo lhe disse:

— Se você é o Filho de Deus, mande que esta pedra vire pão.

4Jesus respondeu:

— As Escrituras Sagradas afirmam que o ser humano não vive só de pão.

5Aí o Diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe num instante todos os reinos do mundo 6e disse:

— Eu lhe darei todo este poder e toda esta riqueza, pois tudo isto me foi dado, e posso dar a quem eu quiser. 7Isto tudo será seu se você se ajoelhar diante de mim e me adorar.

8Jesus respondeu:

— As Escrituras Sagradas afirmam:

 

“Adore o Senhor, seu Deus,

e sirva somente a ele.”

 

9Depois o Diabo o levou a Jerusalém e o colocou na parte mais alta do Templo e disse:

— Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, 10pois as Escrituras Sagradas afirmam:

 

“Deus mandará que os seus anjos

cuidem de você.

11Eles vão segurá-lo com as suas mãos,

para que nem mesmo os seus pés

sejam feridos nas pedras.”

 

12Então Jesus respondeu:

— As Escrituras Sagradas afirmam: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.”

13Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo.

 

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

 

* Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

 

1. Aonde o Espírito Santo conduz Jesus e o que acontece ali?

2. O que o diabo pede em primeiro lugar a Jesus e o que este lhe responde?

3. O que o diabo promete a Jesus e com que citação bíblica Jesus lhe responde?

4. O que o diabo pede que Jesus faça na terceira tentação e em que fundamenta este pedido?

5. Com qual citação bíblica Jesus lhe responde?

 

 

 

* Algumas pistas para compreender o texto:

 

Mons. Damian Nannini1

 

 

O primeiro versículo deste evangelho diz que Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto e “ali ele foi tentado pelo Diabo durante quarenta dias”. Aqui há três elementos com valor simbólico que nos situam já no clima quaresmal. Em primeiro lugar, pela referência dos quarenta dias como um tempo determinado e necessário para uma mudança. Em segundo lugar, pelo deserto, apresentado aqui como o lugar da prova e da decisão. E, por fim, justamente pela tentação ou luta com o demônio.

Concentramo-nos na mensagem essencial de cada uma das tentações, servindo-nos de uma catequese de Bento XVI sobre elas (Audiência Geral, 13 de fevereiro de 2013): “Na primeira tentação, o diabo propõe a Jesus que transforme uma pedra em pão, para saciar a fome. Jesus afirma que o homem vive também de pão, mas não só de pão: sem uma resposta à fome de verdade, à fome de Deus, o homem não se pode salvar (cf. vv. 3-4)”. Esta tentação busca fazer com que Jesus oriente sua filiação, seu ser Filho de Deus, em benefício de si mesmo e não como dependência e doação total ao Pai.

Na segunda tentação, sugere-se a Jesus que faça aliança com os poderes deste mundo (que o evangelho considera sob o domínio de Satã) para realizar sua missão, “mas não é este o caminho de Deus: para Jesus é evidente que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade e do amor (cf. vv. 5-8).

“Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus que se lance do pináculo do Templo de Jerusalém para se fazer salvar por Deus mediante os seus anjos, ou seja, que realize algo de sensacional para pôr à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo (cf. vv. 9-12).

Esta tentação encerra uma grande presunção, pois quer obrigar Deus a intervir: estaria exigindo que o Pai obedecesse a uma situação de emergência provocada por ele. É justamente o que a Escritura denuncia como “tentar a Deus”, na medida em que se quer pôr à prova seu poder ou sua fidelidade, e querer que Deus esteja à nossa disposição. O relato termina com um final aberto: “Quando o Diabo acabou de tentar Jesus de todas as maneiras, foi embora por algum tempo” (Lc 4,13). Para os estudiosos, este “por algum tempo” (kairós) é uma referência ao Getsêmani, onde a tentação se faz mais forte diante da proximidade real da paixão (Lc 22.40,46). O denominador comum das três tentações é a tentativa de afastar Jesus do caminho indicado por seu Pai, “ é a proposta de instrumentalizar Deus, de o usar para os próprios interesses, glória e sucesso”.

A sutileza da tentação está em que não se sugere a Jesus algo explicitamente mau. Na primeira e na terceira tentação, Jesus deveria fazer o que se supõe que possamos esperar dele, se é o Filho de Deus. Na segunda, o tentador apresenta-lhe primeiramente uma finalidade boa, como é a conquista do mundo para Deus, mas o meio para este fim é mau. A resposta dada nos mostra que a fidelidade de Jesus ao Pai inclui não somente o fim, mas também os meios. Jesus, ao ser colocado à prova ou tentado, respondeu com Fé/Fidelidade à Palavra do Pai, revelando, assim, sua verdadeira identidade de Filho de Deus. Em síntese, nas três tentações, Jesus não buscou nem a si mesmo nem sua glória, poder ou fama. Jesus não quer nada para si mesmo, salvo cumprir a Vontade do Pai; por isso vence toda tentação.

 

 

 

O que o Senhor me diz no texto?

 

O evangelho convida-nos a refletir sobre o deserto como imagem da Quaresma que começamos a percorrer. “Antes de tudo o deserto, aonde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem permanece desprovido das ajudas materiais e se encontra diante dos pedidos fundamentais da existência, é impelido a ir ao essencial e, precisamente por isso, é-lhe mais fácil encontrar Deus” (Bento XVI). Portanto, busquemos nesta Quaresma momentos de solidão para orar mais, para refletir sobre o curso de nossa vida, como estamos vivendo e se estamos conformes com nossa vida, considerando nossa relação com Deus, com os outros, com nós mesmos e com a criação.

Mas também o deserto aparece como o lugar da tentação, da luta, da decisão. No deserto de nossas vidas, põe-se à prova nossa verdade mais íntima, pois neste espaço de silêncio e de solidão aparece o diabólico, ou seja, o que rasga e divide interiormente a pessoa humana. Neste sentido, a Quaresma convida-nos a tomar consciência destas tentações ou solicitudes inerentes ao pecado, a combatê-las e a vencê-las com a graça de Deus e as práticas quaresmais (jejum, oração e esmola).

O deserto, onde se dão a prova e a tentação, é também um lugar de aprendizado para o ser humano, visto que ali mesmo tomamos consciência de nossa fragilidade, de nossa debilidade e do pecado que se aninha em nosso coração. E isto é bom, porque nos leva a reconhecer que necessitamos da graça e da misericórdia de Deus. Santo Agostinho observou isto muito bem, dizendo, a propósito, que Deus tenta a fim de que a pessoa mesma se descubra; portanto, a tentação é uma forma de questionamento e de ensinamento que conduz a pessoa ao descobrimento de seu verdadeiro eu.

Por fim, acolhamos a mensagem do Papa Francisco, que nos recorda: “A ‘quaresma’ do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado original (cf. Mc 1.12-13; (Is 51.3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também ao Universo, que ‘ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus’ (Rm 8.21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a empreender um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e dirijamo-nos à Páscoa de Jesus; façamo-nos próximos de nossos irmãos e irmãs que passam dificuldades, partilhando com eles nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na concretitude de nossa vida a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos sua força transformadora também sobre a criação”.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

 

1. Busco momentos de solidão para encontrar-me mais a fundo comigo mesmo e com Deus?

2. Consigo identificar onde o mau espírito me está tentando para que me afaste do caminho do Senhor?

3. A fama, o poder ou o ter são os grandes objetivos de minha vida?

4. Luto com estas tentações recorrendo à Palavra de Deus?

5. Examino-me também sobre minha relação com a criação, dom de Deus?

 

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

 

Obrigado, Jesus, por tua presença em meu deserto.

Obrigado por seres meu companheiro fiel.

Quero abraçar minhas fraquezas, assumir minhas fragilidades.

Que não me apegue ao que me afasta de ti.

Somente juntos poderemos vencer minhas tentações.

Quero aproveitar este tempo, concede-me uma verdadeira conversão.

Que não me detenha nem em meu egoísmo nem em minha solidão.

Que esta Quaresma seja um caminho de comunhão contigo, comigo mesmo,

com meus irmãos e com a criação.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

 

“Jesus, que eu possa percorrer este caminho de conversão em tua companhia”.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

 

Durante esta semana, proponho-me cuidar da criação em meu lugar concreto.

 

 

“Todos nós temos tentações. Contudo, se Jesus é uma realidade vivente em minha vida,

já não tenho medo”.

Santo Madre Teresa de Calcutá

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