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“Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme!”

Instruções para a oração:
  - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem (mais de uma vez se for preciso).
  - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.
  - Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz.
  - As perguntas são para colaborar para que a oração seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.
  - Agradeça a Deus por tudo o que tem lhe dado e peça forças para ser fiel ao que hoje Ele lhe falou ao coração.

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

Espírito Santo, unge-me neste encontro com a Palavra.

Espírito Santo, faze-me testemunha do poder da Palavra.

Espírito Santo, instrui-me através da Palavra

Espírito Santo, leva-me a viver e a anunciar a Palavra junto com meus irmãos.

Amém.

 

TEXTO BÍBLICO: Lc 15.11-32

A parábola do filho perdido

11E Jesus disse ainda:

— Um homem tinha dois filhos. 12Certo dia o mais moço disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê agora a minha parte da herança.”

— E o pai repartiu os bens entre os dois. 13Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe. Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha.

14 — O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade. 15Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos. 16Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 17Caindo em si, ele pensou: “Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! 18Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e contra o senhor 19e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores.’ ” 20Então saiu dali e voltou para a casa do pai.

— Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou. 21E o filho disse: “Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!”

22 — Mas o pai ordenou aos empregados: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés. 23Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar 24porque este meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”

— E começaram a festa.

25 — Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. 26Então chamou um empregado e perguntou: “O que é que está acontecendo?”

27— O empregado respondeu: “O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo.”

28 — O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse. 29Mas ele respondeu: “Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. 30Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!”

31 — Então o pai respondeu: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. 32Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”

 

1. LEITURA

Que diz o texto?

 

Algumas perguntas para ajudá-lo em uma leitura atenta…

1. O que pede o irmão mais moço e por quê?

2. O que faz o filho mais moço com a parte da herança recebida?

3. Em que momento repensa e que decisão toma?

4. Como o Pai o recebe? O que ordena que os empregados façam?

5. Que reação tem o filho mais velho diante do regresso de seu irmão mais moço?

 

Algumas pistas para compreender o texto:

*Mons. Damian Nannini (Dom Damián Nannini é bispo da Diocese de San Miguel (Argentina); licenciado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.)

 

As parábolas do capítulo 15 de São Lucas tinham como intenção original fazer com que os fariseus e escribas compreendessem seu erro ao criticar Jesus e ao murmurar contra ele porque se juntava com os pecadores (cf. Lc 151). Em resposta a esta crítica, Jesus narra, então, estas três parábolas. As duas primeiras – a ovelha perdida e a moeda extraviada – recebem, no final, uma clara transposição para o âmbito da fé, insistindo na alegria de Deus (o céu, os anjos) pela conversão dos pecadores (Lc 15.7,10). A parábola do filho pródigo fica sem aplicação expressa, mas, pelo contexto, é fácil deduzir que o pai representa Deus, o filho mais moço, os pecadores, e o filho mais velho, os fariseus e escribas, que se julgavam justos.

A respeito desta última parábola, devemos observar que seu centro ou fio condutor é a relação do Pai com seus dois filhos. Com esta narrativa, Jesus tenta fazer com que os fariseus descubram que a atitude de Deus para com os pecadores é como a de um pai que sai alegra ao encontro do filho rebelde que se havia ido embora de casa tempos atrás e era dado como morto.

Portanto, fica claro que a parábola do filho pródigo busca revelar a predisposição de Deus para com os pecadores e, deste modo, justificar a atitude de Jesus para com eles, pois outra coisa não faz senão “encarnar” os sentimentos do Pai.

Não podemos esquecer-nos de que a parábola nos apresenta também a relação do Pai com o filho mais velho, a qual nos revela, por contraste, um aspecto essencial da condição de filhos de Deus: não basta o simples pertencer ao povo eleito ou o mero cumprimento externo dos mandamentos para estar em comunhão com o Pai. Fixar-se nisto seria seguir o caminho errôneo dos fariseus. O filho mais velho se havia conformado com a pertença unicamente externa à casa paterna, sem estar em comunhão com os sentimentos do pai. Por isso, não tem compaixão de seu irmão e assume o papel de juiz.

 

O que o Senhor me diz no texto?

A parábola do filho pródigo deve ser lida do ponto de vista do discipulado que marca todo o caminho de Jesus rumo a Jerusalém e nos orienta em sua aplicação. É muito oportuno deter-se um pouco nesta espécie de oásis no caminho para Jerusalém, que é o capítulo 15 de Lucas: “Nestas parábolas, Deus é apresentado sempre cheio de alegria, sobretudo quando perdoa. Nelas, encontramos o núcleo do Evangelho e da nossa fé, porque a misericórdia é apresentada como a força que tudo vence, enche o coração de amor e consola com o perdão” (Papa Francisco, Misericordiae Vultus, nº 9).

O convite é para voltar o olhar para Deus a fim de descobrir seu coração de Pai. Ninguém deseja tanto a salvação das pessoas como ele. Portanto, por isso mesmo, devolve-nos a condição de filhos. Uma consciência formada na estrita justiça pode ter sérias dificuldades para aceitar o perdão do Pai, pois o considera algo imerecido, que não lhe corresponde. Provavelmente ficará fechada em sua culpa, à espera do castigo e, assim, nega-se o abraço do Pai. Diante desta atitude, a mensagem evangélica recorda-nos que a misericórdia triunfa sobre o juízo, e que o perdão de Deus é um presente que se deve aceitar e valorizar. É mais importante levar em conta o desejo e a alegria do Pai pela volta do filho do que o remorso do filho por ter falhado com o Pai.

A resposta livre do homem também aparece claramente na parábola do filho pródigo. É ele quem toma a decisão de voltar. Sem dúvida motivada pelas miseráveis condições nas quais veio a findar sua vida licenciosa, mas decisão livre, no final. O extraordinário e emocionante é a atitude do Pai, que o estava a esperar e o recebe com um abraço e como a um filho. O amor do Pai superou a imagem que o filho mais moço se havia feito dele em suas reflexões. Foi surpreendido por um amor misericordioso e sempre fiel.

Seria oportuno também recordar, a partir das atitudes do filho mais velho, que os “convertidos” também temos necessidade de conversão. É real a tentação de refugiar-nos na couraça de nossos méritos eclesiásticos e do cumprimento externo de nossas práticas de piedade, e perdermos a alegria do amor entranhável do Pai.

 

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

1. Já tive alguma experiência forte de distanciar-me de Deus e, em seguida, voltar para ele arrependido?

2. Como me senti recebido? Pude experimentar a misericórdia do Pai?

3. Estou consciente da imagem de Deus que tenho e posso confrontá-la com a que Jesus nos oferece nestas parábolas?

4. Tenho um coração endurecido e de juiz como o irmão mais velho?

5. Ter experimentado a misericórdia do Pai me fez mais misericordioso para com os demais?

 

O que respondo ao Senhor que me fala no texto?

Obrigado, Deus Pai, por estares sempre a esperar-me.

Obrigado porque tua ternura vai além do meu pecado.

Sacode-me fortemente se repito as atitudes do filho mais velho:

que não fabrique uma couraça de acordo com meus méritos,

nem me encha de práticas piedosas.

Recorda-me sempre que tudo o que é teu é meu.

Que meu coração de discípulo sempre sinta alegria ao perdoar

porque experimentei primeiro teu abraço e teu perdão.

Amém.

 

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, em minha vida, os ensinamentos do texto?

Jesus, dá-me a coragem de voltar todas as vezes que precise receber o abraço do Pai.

 

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Durante esta semana, tentarei dar um abraço a alguém que precise experimentar a misericórdia do Pai.

 

“Quanto mais nos sentimos miseráveis, mais devemos confiar na misericórdia de Deus. Porque entre a misericórdia e a miséria, há uma relação tão grande que uma não pode realizar-se sem a outra”.

São Francisco de Sales

 

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